O casal da nova espécie de rãs-de-vidro bota os ovos em cima das folhas altas das proximidades de um rio. Esses ovos, sem casca, ficam grudados na superfície da folha sob o zelo do macho da espécie até o momento da eclosão, quando os girinos caem das folhas e mergulham no riacho próximo. No impacto se aproveitam da velocidade para se enterrarem nos sedimentos do rio.
O comportamento em questão pode parecer exótico, mas é comum entre as espécies do grupo Vitreorana. Por isso, ao verem uma nova espécie de rã tendo esse comportamento, os cientistas logo quiseram ter mais atenção com esses animais. Assim, acabaram de descobrir a 11° espécie de rã vítrea do mundo e a 2° presente somente no Cerrado brasileiro. Descoberta em Goiás, mais especificamente na cidade de Luziânia, a nova espécie de rã-de-vidro foi descrita e nomeada de Vitreorana micaelae. Em conjunto, as universidades Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da Universidade de Brasília (UnB) trabalharam na descoberta e catalogação da nova espécie. Localizada nos riachos afluentes do Rio Corumbá, no Cerrado, a pequena rã esverdeada e quase transparente chamou a atenção dos biólogos por seu canto diferenciado. Assim, quando analisaram as gravações, perceberam que a Rã-de-vidro encontrada poderia ser uma espécie completamente nova.
As características da nova rã-de-vidro Conforme o artigo publicado na ZooKeys, a espécie apresenta pequenas diferenças morfológicas de suas semelhantes, como a forma da íris, pigmentação dorsal, etc. um dos biólogos autores do estudo, Reuber Brandão, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza da Fundação Grupo Boticário, disse à Agência Brasil: Do ponto de vista bioacústico, é um bicho com muito menos notas de canto. Tem diferenças sutis, mas consistentes, na forma da íris, na pigmentação dorsal e na morfologia, especialmente da região próxima à cloaca [orifício terminal para excreção e com fins reprodutivos]”. Possivelmente, a espécie não tinha sido identificada e nem sequer distinguida entre as comunidades próximas por seus hábitos mais discretos e menor produção de som. Até então acreditavam que essa espécie era apenas um grupo de Vitreorana eurygnatha encontrado. Mas os estudos genéticos, morfológicos e comportamentais mostraram o contrário. Brandão complementa sobre os encontro com a espécie: Depois desse estudo nós já identificamos mais uma localidade no Cerrado com a presença da espécie. Até agora são três, mas isso é novidade, está em estudo e não foi publicado ainda”. De acordo com os cientistas, a escolha do nome foi dada em referência aos pesquisadores envolvidos na descoberta, Wilian Vaz-Silva e sua esposa Micaela de Jolepian L. Vaz. De todo modo, a espécie foi encontrada em um momento de virada nas mudanças climáticas. Uma vez que mudanças no regime hídrico e as mudanças feitas pelo homem no Cerrado poderiam afetar diretamente o crescimento e desenvolvimento das espécie em seu habitat natural.
*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes
Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos:
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