Projeto da UnB usa 'armadilhas' que transformam o Aedes aegypti em vetor do próprio veneno
Um projeto da Universidade de Brasília (UnB) tem obtido resultados promissores ao usar uma nova "arma" no combate ao Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya.
Em parceria com estudantes, o professor Rodrigo Gurgel, da Faculdade de Medicina, implementou no campus as chamadas Estações Disseminadoras de Larvicidas (EDLs) – que transformam o próprio mosquito em um agente de combate à sua espécie.
A técnica, desenvolvida por pesquisadores de Manaus (AM), usa o comportamento natural do inseto para espalhar um larvicida em pó por diferentes criadouros.
Projeto da UnB usa 'armadilhas' que transformam o Aedes aegypti em vetor do próprio veneno — Foto: TV Globo/Reprodução
A EDL é um dispositivo simples e engenhoso: um pote preto, com água no fundo e as paredes internas impregnadas com um larvicida em pó (DBF).
O mecanismo funciona em etapas:
O professor Rodrigo Gurgel acompanha os estudos da técnica desde o seu desenvolvimento no Amazonas. Em 2016, decidiu aplicá-la em um projeto piloto em 150 casas na região de São Sebastião, no DF.
No ano passado, a iniciativa foi expandida para o campus Darcy Ribeiro da UnB, na Asa Norte. Ao todo, mais de 600 estações foram espalhadas por 12 prédios.
Os resultados foram expressivos: segundo o professor, nos prédios que não contavam com as EDLs, foram aspirados, em média, 300 mosquitos.
Já nos locais onde as "armadilhas" foram instaladas, a média caiu para 75 mosquitos – uma redução de 75%.
DF reduz em 95% os casos de dengue
Apesar do sucesso da técnica, Gurgel ressalta que as EDLs são mais uma ferramenta em um "cardápio de tecnologias" e que nenhuma solução isolada é capaz de erradicar o mosquito.
Ele reforça que os governos têm à disposição diversas tecnologias desenvolvidas pela academia que podem ser incorporadas aos serviços de vigilância, de acordo com a necessidade de cada local.
Mesmo com a queda nos números de dengue em comparação com o ano anterior, o alerta continua.
Dados da Secretaria de Saúde do DF mostram que, até 27 de novembro deste ano, foram registrados 11.417 casos prováveis da doença e um óbito. No mesmo período do ano passado, os números eram alarmantes: 278.430 casos prováveis e 440 mortes.
O professor Rodrigo Gurgel e o Ministério da Saúde reforçam que a participação da população é fundamental já que, a cada quatro focos do Aedes aegypti, três estão dentro das casas ou nos arredores.
Veja o que fazer para evitar a proliferação do mosquito:
A Secretaria de Saúde do DF lembra que a vacina contra a dengue está disponível na rede pública para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.
O esquema vacinal completo exige duas doses, com um intervalo de 90 dias entre a primeira e a segunda aplicação. É crucial tomar as duas doses para garantir a proteção adequada contra a doença.
Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.
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