A segurança pública foi o principal tema da campanha para o governo do Rio de Janeiro até este sábado (3), véspera da eleição. O assunto apareceu com frequência nas agendas, entrevistas, sabatinas e debates dos 9 candidatos e também foi o tema que mais mobilizou as redes sociais das campanhas.
Segundo pesquisa Quaest, o tema violência é apontado como o problema mais grave do estado por 62% dos eleitores.
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Disputa por territórios dominados pelo crime organizado, aumento e valorização dos efetivos policiais, inteligência, integração entre as forças de segurança e combate às relações entre crime e política estiveram entre os assuntos mais recorrentes.
Ao lado da segurança, economia, educação e saúde formaram os principais blocos temáticos da campanha, enquanto transporte, mobilidade e meio ambiente tiveram espaço menor, tanto nas agendas de campanha como na comunicação digital dos candidatos.
Participaram da disputa André Marinho (Novo), Anthony Garotinho (Republicanos), Cyro Garcia (PSTU), Coronel Busnello (Missão), Douglas Ruas (PL), Eduardo Paes (PSD), Juliete Pantoja (UP), Luan Monteiro (PCO) e William Siri (PSOL).
O período oficial de campanha e propaganda eleitoral para o 1º turno começou em 16 de agosto de 2026. Para este balanço, foram consideradas reportagens de agendas de campanha, entrevistas, sabatinas e debates com participação dos candidatos, além do levantamento da FGV sobre a comunicação nas redes sociais.
Veja as principais propostas apresentadas por cada candidato.
André Marinho apresentou uma campanha com forte ênfase em segurança pública e desenvolvimento econômico. Na área de segurança, propôs o programa “Sai Fuzil, Entra Brasil”, combinando operações policiais com presença permanente do poder público nos territórios retomados.
Entre as medidas citadas estão titulação de imóveis, atuação da Defensoria Pública e do Ministério Público, pavimentação e iluminação.
O candidato prometeu retomar 30 territórios dominados pelo tráfico até 2030, além de fechar as divisas do estado, atacar as fontes de financiamento das organizações criminosas, ampliar a capacidade do sistema prisional e valorizar os agentes de segurança.
Também propôs realocar policiais atualmente empregados em escoltas de políticos e autoridades para o policiamento nas ruas.
No debate da TV Globo, na última terça-feira (29), Marinho defendeu a criação de um comando unificado envolvendo Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, Degase e Defesa Civil. A proposta prevê que o governador acompanhe situações de crise diretamente do Centro Integrado de Comando e Controle.
Na economia, Marinho propôs reduzir o ICMS de 22% para 18%, criar um balcão único de investimentos, digitalizar processos e criar uma corregedoria independente para auditar contratos do governo.
Ele também apresentou a proposta de 8 polos econômicos ao longo do Arco Metropolitano, conectados por um monotrilho suspenso, com especializações em setores como medicamentos, games, eletroeletrônicos, moda, turismo religioso e energia.
Na mobilidade, apresentou a Linha Azul, um sistema de metrô acoplado à Ponte Rio-Niterói para ligar Niterói e São Gonçalo ao Centro do Rio.
Síntese
Anthony Garotinho concentrou boa parte da campanha em segurança, gestão pública, saúde, educação e transporte. Na segurança, apresentou o “Bope 2.0”, que seria um batalhão de ocupação permanente de comunidades dominadas pelo crime organizado. A proposta prevê atuação conjunta da Polícia Militar e da Polícia Civil, além de uma chamada “tropa social” com programas de esporte, juventude e renda.
Garotinho também defendeu a convocação de aprovados em concursos das forças de segurança e afirmou que as primeiras áreas a receber ações de retomada deveriam ser Maré, Alemão, Pedreira e Salgueiro.
Na economia, o candidato propôs cortar R$ 12 bilhões em incentivos fiscais. Na saúde, apresentou um modelo para reduzir a fila do Sisreg por meio da complementação dos valores pagos pela tabela do SUS a hospitais conveniados. Também defendeu o funcionamento noturno dos centros cirúrgicos dos hospitais estaduais.
Na educação, propôs ampliar o ensino em tempo integral, aumentar o uso de tecnologia nas escolas, capacitar professores e pagar o piso nacional do magistério. Também defendeu o fim da aprovação automática e um modelo de avaliação das escolas que considere, além do desempenho dos estudantes, aspectos como merenda e conservação dos prédios.
No transporte, prometeu reduzir tarifas e apresentou uma alternativa à Linha 3 do metrô baseada em “superbarcas velozes”. Na área de saneamento, afirmou que poderia avaliar o rompimento dos contratos relacionados à concessão da Cedae.
Síntese
Cyro Garcia apresentou propostas que ampliam a participação direta do estado em áreas como saúde, transporte e economia. O candidato defendeu a suspensão e auditoria da dívida do RJ com a União, a taxação dos mais ricos, a revisão de benefícios fiscais e um processo de reindustrialização do Rio.
Na saúde, Cyro propôs acabar com os contratos com organizações sociais e empresas terceirizadas, substituindo-os pela contratação de profissionais por concurso público e pela ampliação da estrutura da rede estadual. Também defendeu a construção de hospitais estaduais em regiões com déficit de atendimento e a ampliação da rede pública.
Na segurança, apresentou uma abordagem baseada em inteligência e investigação dos financiadores do tráfico de armas, drogas e milícias. Também defendeu a descriminalização das drogas como parte de uma política de saúde pública.
Na educação, propôs ampliar o ensino integral, realizar concursos públicos, reajustar salários dos professores e aumentar os investimentos nas universidades estaduais. Defendeu ainda autonomia financeira e orçamentária da Uerj e investimentos em pesquisa e tecnologia.
No transporte, propôs que o governo estadual assuma o controle da operação ferroviária e de outros sistemas, além da implantação gradual da tarifa zero, começando por desempregados e estudantes. Também defendeu a mudança do transporte rodoviário para o ferroviário.
O candidato também apresentou propostas de titulação de terras quilombolas, políticas de reparação histórica e ensino da história da África nas escolas estaduais.
Síntese
Coronel Busnello colocou a segurança pública no centro da campanha e associou o combate ao crime ao desenvolvimento econômico. Na proposta de retomada de territórios, defendeu ações de inteligência, combate financeiro às organizações criminosas e ocupação permanente das áreas recuperadas.
Busnello também propôs instalar o gabinete do governador na 1ª comunidade cujo território fosse recuperado do crime organizado e conceder títulos de propriedade aos moradores. O candidato chamou sua proposta de “desfavelização”, associando-a à regularização fundiária, formalização de serviços, saneamento e empregos.
Na economia, defendeu a reindustrialização do estado e citou o chamado Vale dos Fertilizantes, no Norte Fluminense. Também apresentou uma proposta de reindustrialização de São Gonçalo com investimentos e possibilidade de uso de renúncias fiscais.
Na mobilidade, propôs novas linhas de barcas entre São Gonçalo, Duque de Caxias e o Rio, integração entre barcas, metrô, trens e ônibus por meio de bilhetagem única, implantação da Linha 3 do metrô e corredores de BRT. Também defendeu a recuperação de estações ferroviárias, compra de novos trens e integração dos sistemas.
Na reta final, Busnello apresentou propostas de redução do número de secretarias e cargos em comissão, auditoria e revisão dos contratos do estado, além de um prontuário único para pacientes da rede de saúde.
Síntese
Douglas Ruas também concentrou sua campanha em segurança pública, relacionando o enfrentamento da criminalidade ao desenvolvimento econômico. O candidato propôs zerar o déficit de policiais militares em até 4 anos, convocar aprovados em concursos e estabelecer um cronograma para novos concursos.
Também apresentou medidas de tecnologia e integração das forças de segurança, incluindo monitoramento, reconhecimento e atuação nas divisas do estado. A segurança foi associada, nas propostas do candidato, à retomada de territórios e à criação de um ambiente favorável para atividades econômicas.
Na educação, Ruas propôs ampliar o modelo de escolas cívico-militares, passando das 17 unidades existentes para 200, segundo a proposta apresentada durante a campanha. Também defendeu qualificação profissional a partir do 1º ano do ensino médio.
Na saúde, propôs Centros Integrados de Saúde em todas as regiões, reunindo consultas especializadas, exames e pequenas cirurgias. Também defendeu estabelecer prazos para o atendimento e, quando a rede pública não conseguisse cumprir o prazo, contratar serviços na rede privada.
Para a Baixada Fluminense, apresentou um programa de obras de infraestrutura em parceria com as prefeituras. O candidato também relacionou a segurança ao ambiente de negócios e defendeu ações para reduzir a criminalidade em áreas comerciais.
Síntese
Eduardo Paes apresentou propostas concentradas em segurança, saúde, educação e transporte, além de defender uma reorganização administrativa da segurança pública.
Na área de segurança, afirmou que pretende reunificar a Secretaria de Segurança Pública e impedir interferências políticas na nomeação de comandantes de batalhões e delegados. Também propôs começar a retomada de territórios pelo Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, e anunciou a criação de um novo batalhão na Praça Seca.
Paes também apresentou propostas específicas para o combate à violência contra a mulher, como a criação de 8 delegacias da mulher com funcionamento 24 horas e a ampliação das equipes da Ronda Maria da Penha.
Na saúde, propôs criar 8 Supercentros Regionais de Especialidades, seguindo um modelo implementado durante sua gestão na Prefeitura do Rio. A ideia é reduzir filas de regulação e evitar que pacientes de outras regiões precisem se deslocar até a capital. Também prometeu concursos para contratação de profissionais da saúde.
Na educação, defendeu aumentar o ensino em tempo integral e levar para a rede estadual o modelo dos Ginásios Educacionais Tecnológicos, além de ampliar o ensino médio profissionalizante.
No transporte, propôs dar início às obras da Linha 3 do metrô, alterar o modelo de operação ferroviária, licitar a bilhetagem eletrônica e reduzir a passagem dos ônibus intermunicipais.
Síntese
Juliete Pantoja apresentou uma campanha com forte defesa da presença direta do Estado em serviços públicos e críticas às privatizações. Na economia, defendeu uma auditoria da dívida estadual, revisão de subsídios e benefícios fiscais e uma maior participação direta do poder público em áreas como saúde, educação e transporte.
Na saúde, Juliete propôs retomar a administração direta de todas as unidades estaduais, encerrar e auditar contratos com organizações sociais, ampliar o orçamento da área e realizar concursos públicos. Também defendeu a criação de um laboratório farmacêutico estadual e uma rede de apoio à saúde mental.
Na educação, defendeu ensino público gratuito, ampliação de vagas nas escolas e universidades, ensino integral em todas as escolas estaduais até 2030, auxílio-permanência e plano de carreira unificado para profissionais da educação.
Na segurança, apresentou uma abordagem baseada em inteligência e investigação dos financiadores do crime organizado. Também defendeu a presença do Estado nas comunidades por meio de educação, saúde, emprego e outras políticas sociais, além de mudanças na política de operações policiais.
A candidata também propôs a retomada da Cedae e criticou as privatizações no estado. Para mulheres vítimas de violência doméstica, apresentou propostas de casas de apoio, transferência de renda, ampliação de vagas em creches e expansão das delegacias especializadas com funcionamento 24 horas.
Síntese
Luan Monteiro apresentou propostas que defendem mudanças estruturais na segurança, na economia e na organização dos serviços públicos. Na segurança, defendeu a dissolução da Polícia Militar, a descriminalização total das drogas e a organização popular como parte da estratégia de proteção dos trabalhadores.
O candidato também defendeu a reindustrialização do estado e a recuperação da Cedae, além da reestatização de empresas consideradas estratégicas. A proposta econômica apresentada durante a campanha foi associada ao aproveitamento das riquezas do petróleo para estimular a industrialização e a geração de empregos.
Na área de transporte, Luan defendeu a estatização do sistema e o passe livre. Suas propostas também incluíram mudanças em áreas como moradia, direitos trabalhistas e serviços públicos.
Síntese
William Siri apresentou uma campanha que combinou segurança pública, fortalecimento dos serviços públicos, reindustrialização e ampliação de políticas sociais.
Na segurança, defendeu a retomada dos territórios dominados por organizações criminosas, mas associou a ação policial à presença permanente do Estado, com saneamento, educação e saúde. Também propôs novos concursos e valorização dos profissionais das forças de segurança.
Siri também propôs começar a retomada de territórios pelo Morro da Providência e defendeu mudanças na estrutura de segurança, incluindo o fim de indicações políticas para o comando das forças e o combate à estrutura financeira das organizações criminosas.
Na educação, apresentou a proposta de reestruturar os Cieps e colocar 30 unidades em modelo integral, além de defender a valorização dos servidores, reajuste salarial e concursos públicos.
Na saúde, defendeu concursos para a rede estadual e mudanças na regulação das vagas. Na área de serviços públicos, propôs a reestatização da Cedae e o controle público dos trens e do metrô.
No transporte, defendeu expansão do metrô, implantação da Linha 3 e redução gradual das tarifas até a chegada à tarifa zero. Na economia, colocou a reindustrialização entre as prioridades e defendeu investimentos públicos e o fortalecimento dos serviços estatais.
Síntese
Um levantamento da Escola de Comunicação da Fundação Getulio Vargas (FGV), feito a pedido do g1, monitorou 34 perfis oficiais dos candidatos entre 16 de agosto e 16 de setembro, no Instagram, Facebook, X, TikTok e YouTube. Segurança foi o tema mais frequente e também o que mais gerou interações: 11% das publicações e 16% das interações.
Economia apareceu com 6,74%, seguida por educação, com 5,27%, e saúde, com 4,65%. Mobilidade e transporte representaram 1,08% das publicações e 1,28% das interações. Meio ambiente ficou em último lugar, com 0,29% dos posts e 0,18% das interações.
A pesquisa também apontou que segurança não foi necessariamente tratada da mesma maneira pelas campanhas. Entre os subtemas mais recorrentes estavam a retomada de territórios dominados por facções e milícias, aumento e valorização do efetivo policial, inteligência e integração das forças, combate à corrupção e às relações entre crime e política, proteção às mulheres e prevenção do recrutamento de jovens pelo crime.
O levantamento mostrou ainda que parte significativa da comunicação digital não era formada por propostas. Agendas, apoios, exaltação dos próprios candidatos e ataques a adversários ocupavam espaço relevante. Segundo o pesquisador Victor Piaia, uma publicação classificada em determinado tema não significa necessariamente que contenha uma proposta detalhada.
A comunicação também ficou concentrada na capital. A cidade do Rio apareceu em 13% das referências territoriais analisadas, enquanto a Região dos Lagos teve 1%. Sul e Costa Verde, Região Serrana e Norte Fluminense foram consideradas sub-representadas.
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