A imagem de um boto-cinza com um machucado na nadadeira dorsal vem intrigando os pesquisadores do Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores da Uerj (Maqua). O animal, que vive na Baía de Guanabara desde 2008, foi avistado nas proximidades da Ilha de Paquetá na última segunda-feira (28).
O que chamou a atenção dos biólogos foi um orifício na nadadeira que lembra o formato de uma flecha de biópsia. O tipo de mutilação sugere o impacto de um disparo feito contra a dorsal do mamífero.
Ao analisar o catálogo de fotos mantido pelo Maqua, a equipe constatou que o boto não apresentava a lesão até julho deste ano. A marca se assemelha a um machucado decorrente da queda de um transmissor (TAG) fixado na dorsal ou, de forma menos provável, ao impacto de uma coleta de biópsia mal executada. Registros desse tipo são inéditos na população de botos da região.
A situação acendeu um alerta entre os especialistas: não há conhecimento de autorização para esse tipo de pesquisa no perímetro da Área de Proteção Ambiental (APA). Caso a lesão não esteja relacionada a nenhuma atividade científica recente, será necessário investigar se os animais estão sendo alvo de agressões externas.
"Nunca vimos nada igual", disse pesquisador.