Três mulheres negras vencem na justiça após racismo em prova da UERJ
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Fonte
TV Brasil
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Positivo
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Data Publicação
23/09/2026
12:45h
Nesta semana foi mantida e ele continua sendo detido. A polícia acredita que ainda tem muitos esclarecimentos para fazer até conseguir fechar esse inquérito e chegar realmente a uma conclusão ao caso de Isabelle Caracristi. Voltamos ao Estúdio da EBC. Muito obrigada.
E no Rio, três mulheres negras que sofreram racismo durante a realização de uma prova para a residência em saúde da UERJ conseguiram uma vitória na justiça e vão ser indenizadas. O fiscal que aplicava as provas pediu que apenas as três candidatas com cabelo crespo prendessem os fios.
Depois de se formar em serviço social, a Rayane sonhava em fazer residência na área de saúde. Após anos de estudo, ela não esperava que no dia de uma prova tão importante, ela seria vítima de racismo. Um dos fiscais aplicadores do exame disse que ela tinha que prender o cabelo, o que não foi pedido para candidatas brancas de cabelo longo.
Eu me dei conta mesmo no momento que eu entendi, que eu entrei na sala e vi outras pessoas com o cabelo solto e quando as outras pessoas começaram a falar, porque eu mesmo assim, na pressa, no desespero para fazer a prova, eu só queria entrar para fazer a minha prova. Mariana foi a primeira candidata da sala a receber a abordagem racista.
Para ela, a prova que foi realizada com lágrimas já tinha acabado antes mesmo de começar. Eu sou uma pessoa com deficiência e aquilo dali me deixou extremamente nervosa, com muita sobrecarga sensorial. Então eu consegui me manifestar.
durante aquele momento, no sentido de falar, falar por mim, pelo que estava acontecendo, e também do quanto eu achava aquilo absurdo. Mas isso, por si só, fora toda a tensão e a violência em si, acabou me gerando um colapso nervoso. Eu fiquei extremamente...
Em nota, a universidade disse que reconheceu o erro dos fiscais envolvidos e que reorientou os profissionais. Acrescentou o que respeita e vai cumprir a decisão da justiça. As meninas tiveram dificuldade em acessar as instituições que poderiam oferecer o suporte necessário. Mariana, por exemplo, não conseguiu registrar um boletim de ocorrência do caso.
O acolhimento que precisavam, elas encontraram no Instituto Iteramache, coletivo quilombo negro, majoritariamente feminino, formado por pessoas que lutam contra as desigualdades estruturais. As vítimas têm, de fato, dificuldade em entender que sofreu a violência e, após o entendimento da violência, têm dificuldade em acessar a justiça
porque quando a gente fala de racismo institucional, ele está em diversas áreas de todas as instituições. Para a advogada, o processo não terminou com uma vitória, porque racismo é a derrota de toda a sociedade. Somente depois de recorrer à segunda instância, o fato foi classificado pelo Poder Judiciário como racismo.
A gente não diz que é uma vitória, porque foi sim uma violência, mas essa sentença para as meninas traz um pouco de respiro, um pouco de justiça que tanto elas buscaram. Para as vítimas ficam os traumas e as feridas que ainda bloqueiam oportunidades profissionais. Elas ainda não conseguem participar de novos concursos por causa da memória traumática e até entrar na universidade de novo ficou mais difícil. Nada vai ser capaz de reparar o trauma que eu tive depois disso.
para conseguir fazer uma prova, para continuar estudando. Foi horrível. Naquele ano eu fiz cerca de 10 provas, duas de mestrado e oito de residência. Aquela tinha sido a segunda, faltavam oito. Isso destruiu todos os meus anos de estudo.
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