Candidato a deputado federal pelo PSD, com o número 5510, Hugo Leal criticou a forma como o sistema de pedágio eletrônico Free Flow foi implantado na Rodovia Rio-Santos. Embora defenda a tecnologia, o parlamentar avalia que a falta de informação e a existência de diferentes plataformas de pagamento acabaram criando dificuldades para os motoristas.
“A tecnologia tem que facilitar a vida do usuário, não dificultar”, afirmou Hugo Leal.
Em entrevista a Quintino Gomes Freire, do DIÁRIO DO RIO, o deputado também falou sobre segurança no trânsito, acidentes com motociclistas, atendimento a pessoas com fibromialgia, revisões do Benefício de Prestação Continuada (BPC), agricultura familiar, Auxílio Gás e projetos esportivos em comunidades.
Em seu quinto mandato consecutivo na Câmara dos Deputados, Hugo Leal tenta a reeleição com o número 5510. O parlamentar integra a lista de candidatos a deputado federal pelo Rio de Janeiro nas eleições de 2026.
Free Flow e as multas na Rio-Santos
O Free Flow permite a cobrança de pedágio sem a necessidade de praças com cancelas. Câmeras instaladas ao longo da rodovia identificam os veículos e registram a passagem pelos pórticos.
Quem possui tag tem a cobrança realizada automaticamente. Já os motoristas sem o dispositivo precisam acessar os canais da concessionária para consultar e pagar a tarifa.
Para Hugo Leal, esse é justamente um dos problemas do modelo atual. O deputado lembra que a Rio-Santos não tinha cobrança de pedágio antes da implantação do sistema e recebeu uma tecnologia nova para a maioria dos motoristas.
Segundo ele, o usuário ainda precisa descobrir qual concessionária administra cada trecho e acessar diferentes sites ou aplicativos.
A proposta defendida pelo parlamentar é integrar as cobranças à Carteira Digital de Trânsito, ao Renavam e às bases do Governo Federal. Assim, o motorista receberia uma notificação oficial e poderia consultar os valores em uma única plataforma.
O DIÁRIO DO RIO mostrou que mais de 1,2 milhão de multas haviam sido aplicadas no Free Flow da BR-101 até maio de 2025, com valor estimado acima de R$ 200 milhões.
Na entrevista, Hugo Leal afirmou que o número de autuações no Rio posteriormente chegou a cerca de 1,4 milhão.
O deputado questionou o enquadramento de todos esses casos como evasão de pedágio. Na visão dele, a infração deveria ficar restrita às situações nas quais o motorista tem conhecimento da cobrança e decide não pagar.
Regularização não elimina pagamento do pedágio
Uma regra excepcional do Conselho Nacional de Trânsito abriu prazo para a regularização de tarifas pendentes. Isso, porém, não significa que o pedágio deixou de ser devido.
Os motoristas precisam consultar os canais das concessionárias e pagar as tarifas dentro do período previsto. Dependendo do caso, autuações ligadas exclusivamente à falta de pagamento poderão ser suspensas ou canceladas.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres também esclareceu que não houve anistia geral ou cancelamento irrestrito das multas.
Hugo Leal defendeu ainda a criação de um procedimento para ressarcir motoristas que tenham pago multas posteriormente consideradas indevidas.
Lei Seca e acidentes com motociclistas
Ex-presidente do Detran-RJ e um dos articuladores da Lei Seca, Hugo Leal disse que pretende manter a segurança no trânsito entre suas prioridades em um eventual sexto mandato.
O deputado defende que a fiscalização avance também para a identificação do uso de outras substâncias que alterem a capacidade do motorista. Para isso, propõe investimento em testes rápidos que possam ser usados durante as abordagens.
Outro ponto citado pelo parlamentar foi o aumento dos acidentes envolvendo motocicletas, ciclomotores e bicicletas elétricas.
Segundo Leal, além das mortes e sequelas, esses acidentes aumentam a pressão sobre hospitais públicos, com ocupação de leitos de terapia intensiva e impacto sobre cirurgias eletivas.
O candidato também rejeitou a ideia de uma “indústria da multa” quando radares são instalados com sinalização adequada e limites de velocidade definidos por critérios técnicos.
Projeto aumenta punição para o “grau”
Entre as propostas apresentadas pelo deputado está o Projeto de Lei 3.537/2026, que aumenta as penalidades para quem faz manobras perigosas com motocicletas, motonetas ou ciclomotores em vias públicas.
Chamado pelo parlamentar de “Lei do Grau”, o projeto prevê o enquadramento da conduta como infração gravíssima e admite sanções como suspensão ou cassação da Carteira Nacional de Habilitação.
“Via pública não é lugar para fazer malabarismo”, declarou Hugo Leal.
Segundo ele, manobras esportivas devem ser realizadas em pistas ou áreas fechadas, com equipamentos de segurança e sem colocar outras pessoas em risco.
O PL 3.537/2026 foi apresentado por Hugo Leal em julho. O deputado disse ter decidido levar o tema ao Congresso após tomar conhecimento de um acidente fatal em Nova Friburgo envolvendo uma manobra de motocicleta em via pública.
Proteção para entregadores de aplicativos
Hugo Leal também defendeu maior responsabilidade das plataformas digitais sobre a segurança dos entregadores.
Entre as medidas citadas estão qualificação dos motociclistas e fornecimento de equipamentos adequados, como capacetes, coletes e joelheiras.
O deputado também considera necessária alguma forma de proteção previdenciária para esses trabalhadores.
Na avaliação dele, empresas que obtêm receita com as entregas precisam dividir parte da responsabilidade pela segurança e proteção social dos profissionais que realizam o serviço.
Clínicas da Dor para pacientes com fibromialgia
Na saúde, Hugo Leal defendeu a criação de uma rede nacional de Clínicas da Dor dentro de hospitais universitários.
A referência é o trabalho realizado pelo Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
O modelo reúne diferentes especialidades no atendimento a pessoas com fibromialgia, fadiga crônica, síndrome de dor regional complexa e outras condições.
A Lei Federal 14.705/2023 estabeleceu diretrizes para o atendimento integral e multidisciplinar desses pacientes no Sistema Único de Saúde.
O DIÁRIO DO RIO já mostrou como a Clínica da Dor da Uerj se tornou referência e inspirou proposta para a criação de uma rede nacional no SUS.
Para Leal, o desafio agora é fazer o atendimento chegar aos pacientes. A proposta é utilizar a estrutura dos hospitais universitários para ampliar o modelo pelo país.
Críticas às revisões do BPC
O candidato também criticou a forma como são feitas algumas revisões do Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas com deficiência.
Segundo Hugo Leal, famílias de pessoas com autismo, doenças raras ou deficiências permanentes podem perder o benefício quando um integrante da casa consegue emprego formal ou registra aumento de renda.
Para o deputado, a análise deveria considerar despesas permanentes com medicamentos, alimentação especial, terapias, transporte e acompanhamento profissional.
Leal defende que o benefício esteja relacionado principalmente às necessidades da pessoa com deficiência, e não apenas à renda momentânea da família.
Segundo o parlamentar, a perda automática do BPC pode até desestimular parentes a entrarem no mercado formal de trabalho quando o novo salário não compensa a perda do benefício e os custos adicionais da casa.
Auxílio Gás e entrega do botijão
Ao falar sobre custo de vida, Hugo Leal relembrou sua atuação como relator-geral do Orçamento da União de 2022 e disse ter participado da construção do Auxílio Gás.
Para ele, o programa pode ser aperfeiçoado com a entrega direta ou subsidiada do botijão de 13 quilos, em vez de apenas uma transferência em dinheiro.
O argumento é que o preço do gás varia entre as regiões e o valor do benefício pode perder poder de compra.
O candidato citou o programa Gás do Povo como exemplo de modelo que permite às famílias retirar o botijão diretamente em distribuidoras credenciadas.
Agricultura familiar e Solo Vivo
Outra frente defendida pelo candidato é a agricultura familiar no Estado do Rio.
Hugo Leal afirmou que o estado possui um dos maiores mercados consumidores de alimentos do país, mas produz menos de 20% do que consome.
Uma das propostas é ampliar o projeto Solo Vivo, desenvolvido em parceria com o Instituto Federal Fluminense.
A iniciativa inclui análise da qualidade do solo, orientação técnica, acesso a máquinas e apoio na escolha das culturas mais adequadas a cada região.
Segundo o deputado, parte dos pequenos produtores possui terra e disposição para produzir, mas encontra dificuldades pela falta de assistência técnica e equipamentos.
Projeto Ecoar em comunidades do Rio
Na área social, Hugo Leal destacou o Projeto Ecoar, voltado ao apoio de iniciativas esportivas que já funcionam em comunidades cariocas.
O projeto atende ações na Ladeira dos Tabajaras, Pavão-Pavãozinho, Rocinha e Santa Marta.
Os recursos ajudam no pagamento de instrutores, na compra de material esportivo e em despesas de funcionamento.
Para Leal, políticas públicas devem aproveitar projetos e lideranças que já atuam dentro das comunidades, em vez de criar programas sem relação com a realidade local.
Hugo Leal apoia Eduardo Paes
Na eleição para o Governo do Estado, Hugo Leal declarou apoio a Eduardo Paes (PSD).
O deputado citou a experiência administrativa de Paes e sua capacidade de construir alianças políticas como motivos para apoiar sua candidatura.
Segundo Leal, o Estado do Rio passou por sucessivas crises políticas e administrativas, enquanto Paes demonstrou capacidade de planejamento e execução em suas passagens pela Prefeitura do Rio.
“O que me move é dar voz a quem precisa”, afirmou Hugo Leal.
Assista à entrevista completa com Hugo Leal.
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