Mulher em sala de aula - Foto: Gerada por Inteligência Artificial
Larissa Nascimento, estudante de Pedagogia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), ganhou destaque ao mostrar sua rotina na faculdade ao lado do filho, Felipe. O vídeo, intitulado “A Uerj é uma mãe”, ultrapassou 1,7 milhão de visualizações no Instagram e chamou atenção pela forma como professoras e alunas interagem com o bebê durante as aulas.
A publicação gerou milhares de comentários e abriu espaço para relatos de outras mães sobre a dificuldade de conciliar estudos e criação dos filhos. Muitas narrativas destacaram o peso de retomar a vida acadêmica após a maternidade, especialmente entre mulheres que criam os filhos sozinhas e enfrentam mais obstáculos para permanecer na universidade.
Alerj aprova cotas para mães solo em escolas técnicas
O tema também avançou no campo político no Rio de Janeiro. A Assembleia Legislativa do Estado aprovou o Projeto de Lei 3.248/24, que reserva 10% das vagas nos processos seletivos para ingresso nas escolas técnicas públicas da rede estadual a mães solo. Para que a proposta entre em vigor, ainda é necessária a sanção do Governo do Estado.
O texto considera mães solo as mulheres provedoras de famílias monoparentais com dependentes de até 18 anos e inscritas no CadÚnico. A candidata deverá apresentar documentos que comprovem essa condição no ato da inscrição e indicar a opção pelo sistema de cotas. As candidatas concorrerão ao mesmo tempo nas vagas reservadas e na ampla concorrência, e, se houver desistência ou sobra de vagas, o preenchimento seguirá regras previstas no projeto.
Políticas de permanência são decisivas para evitar evasão
Além do debate sobre cotas, a experiência de Larissa também evidencia a importância de medidas de apoio dentro das instituições de ensino. A própria estudante relata que a Uerj oferece uma bolsa de R$ 900 para ajudar mães a conciliar estudos e maternidade, benefício que pode ser pago do nascimento da criança até os sete anos de idade.
Ela também destaca a estrutura do prédio, com trocadores em todos os andares e copas para aquecer a comida do bebê. Essas iniciativas ajudam a reduzir a evasão e a manter mães em sala de aula, em um cenário em que, segundo dados do MEC, quase metade das mães universitárias brasileiras já precisou trancar ou abandonar o ensino superior por causa das dificuldades impostas pela maternidade.
Os números do IBGE reforçam a dimensão do problema: no Brasil, 11 milhões de mulheres são as únicas responsáveis pelos cuidados com seus filhos, e 63% das famílias chefiadas por mulheres vivem abaixo da linha da pobreza. Nesse contexto, políticas públicas e ações institucionais podem ser decisivas para ampliar o acesso e a permanência dessas estudantes na educação.
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