Os pesquisadores brasileiros identificaram uma nova espécie de peixe pré-histórico que viveu há 254 milhões de anos no país. Batizada de Leolepis matogrossensis, a espécie foi descrita em um estudo publicado em julho no “Journal of South American Earth Sciences“, com participação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
O fóssil de 15 centímetros foi encontrado em bom estado de conservação em Alto Garças, no Mato Grosso. O exemplar preserva praticamente todo o corpo, algo raro entre fósseis de peixes desse período encontrados no país.
Fóssil é considerado raro
O animal pertencia aos actinopterígios, grupo que atualmente reúne 96% das espécies de peixes vertebrados existentes. Segundo os pesquisadores, os registros brasileiros de peixes deste período costumam ser identificados a partir de dentes, escamas ou fragmentos de ossos.
No caso do Leolepis matogrossensis, a preservação permite analisar características do animal que normalmente não ficam registradas nos fósseis. O estudo aponta que este é o exemplar do Permiano (último período geológico da Era Paleozoica) mais bem preservado já encontrado no Mato Grosso. A descoberta também é considerada incomum em escala mundial.
Peixe viveu antes da grande extinção
O Leolepis matogrossensis viveu durante o Permiano Superior, quando a América do Sul e a África ainda integravam o supercontinente Gondwana.
Na época, a área onde o fóssil foi localizado fazia parte de um sistema aquático continental ligado a um antigo mar interior. Pelo tamanho reduzido dos dentes, os cientistas estimam que o animal se alimentava de pequenos invertebrados e plantas.
A espécie também ajuda a compreender os ecossistemas sul-americanos existentes pouco antes da extinção do Permiano-Triássico, ocorrida há 252 milhões de anos. O evento é considerado a maior crise biológica conhecida da história do planeta.
Fóssil foi encontrado perto da cratera de Araguainha
Outro aspecto que chama a atenção é a localização do fóssil. O exemplar foi encontrado a 50 km da cratera de impacto de Araguainha, considerada a maior e mais bem preservada estrutura do tipo na América do Sul.
Para os pesquisadores, o material pode ajudar a identificar a presença da espécie em outras áreas da Bacia do Paraná e contribuir para estabelecer relações entre diferentes formações geológicas.
O fóssil foi coletado em meados de 2005 pelo geólogo Léo Adriano de Oliveira, que posteriormente o disponibilizou para estudo e o depositou na Coleção Paleontológica da Universidade Federal de Mato Grosso, em Cuiabá.
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