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De uma missão humanitária na Venezuela para uma demonstração no Rio de Janeiro: o Hospital de Campanha do Brasil empregado após os terremotos de junho será apresentado nesta sexta-feira (28) durante o II Seminário Internacional de Operações Humanitárias e Resposta a Desastres. A estrutura reúne UTI, centro cirúrgico, laboratório, diagnóstico por imagem e capacidade própria de tratamento de água, oferecendo ao público uma visão prática dos recursos mobilizados pelo País em cenários de desastre.Notícias Relacionadas:As Reservas de Petróleo como motor da Expansão Territorial no Século XXINota de esclarecimento: HFA aumenta em 308% a quantidade de leitos de…Maioria dos pacientes não quer ser transferida, afirma governo de RO
Hospital de Campanha brasileiro tem 34 leitos e centro cirúrgico
Um dos principais destaques do seminário será a apresentação do complexo médico-expedicionário empregado pelo Brasil no apoio às vítimas dos terremotos da Venezuela, ocorridos em junho deste ano.
A estrutura possui 30 leitos de enfermaria e quatro de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), totalizando 34 leitos. O complexo conta ainda com centro cirúrgico e laboratório de análises clínicas para realização de exames de sangue.
A capacidade de diagnóstico inclui equipamentos de Raio-X e ultrassom. Farmácia, odontologia e fisioterapia também integram a estrutura disponibilizada para atendimento aos pacientes.
O suporte médico abrange ainda especialidades como pediatria e ortopedia, além de assistência social, acompanhamento psicológico e obstetrícia.
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Neste último caso, o HCamp dispõe inclusive de sala de parto preparada para procedimentos operatórios, ampliando a variedade de atendimentos que podem ser realizados em uma operação humanitária.
Como o Hospital de Campanha funciona em áreas atingidas por desastres
Um hospital expedicionário empregado em uma região afetada por uma grande calamidade precisa enfrentar um problema que vai além do atendimento médico: parte da infraestrutura essencial do local pode estar indisponível.
Nesse contexto, a estrutura apresentada possui recursos destinados a garantir seu funcionamento em cenários extremos.
Entre eles está uma estação própria de tratamento de água, elemento essencial para sustentar tanto as atividades médicas quanto as necessidades básicas da unidade.
O complexo dispõe também de cozinha de campanha e de um sistema integrado de comunicação por satélite. Esses recursos ampliam a autonomia da estrutura quando redes e serviços convencionais foram afetados pelo desastre.
A combinação entre atendimento médico, diagnóstico, internação, cirurgia, comunicação e infraestrutura de apoio mostra por que o Hospital de Campanha ocupa posição central na programação do seminário.
Mais do que apresentar equipamentos individualmente, a demonstração permitirá observar uma capacidade organizada para levar atendimento a ambientes nos quais os serviços existentes podem ter sido comprometidos.
Experiência na Venezuela entra no debate sobre operações humanitárias
A experiência recente na Venezuela também será objeto específico das discussões.
Durante a programação da tarde, estão previstas palestras sobre logística, operações de busca e resgate e o emprego do Hospital de Campanha brasileiro naquele país.
Antes disso, haverá uma demonstração de equipe médica de emergência, permitindo relacionar a discussão acadêmica e institucional às capacidades utilizadas em operações humanitárias.
O evento reunirá representantes de diferentes setores envolvidos na prevenção, preparação e resposta a calamidades.
Entre os palestrantes e expositores previstos estão integrantes do Ministério da Defesa, Marinha do Brasil, Força Aérea Brasileira, Agência Brasileira de Cooperação, Secretaria Nacional de Defesa Civil e Organização Pan-Americana da Saúde, além do BNDES e do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, entre outras instituições.
A diversidade dos participantes evidencia um aspecto importante das operações de resposta a desastres: grandes emergências podem exigir coordenação entre capacidades militares, estruturas civis, saúde pública, diplomacia, financiamento e órgãos especializados.
Seminário deve reunir mais de mil civis e militares no Rio
A expectativa é de que o II Seminário Internacional de Operações Humanitárias e Resposta a Desastres receba mais de 1.000 pessoas.
Entre o público estarão civis e militares, incluindo estudantes da Escola de Guerra Naval (EGN) e de instituições como Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).
A programação da manhã abordará temas como evolução da medicina operativa, engajamento das Forças Armadas em desastres, gerenciamento de riscos, atuação da Força Nacional do SUS e o papel do BNDES diante de eventos extremos.
No período da tarde, o enfoque avança para aspectos diretamente relacionados à resposta operacional, incluindo demonstração médica, logística, busca e resgate e a experiência do HCamp na Venezuela.
A proposta, portanto, reúne em um mesmo ambiente experiências operacionais, conhecimento acadêmico e diferentes instituições envolvidas na preparação brasileira para emergências.
FRIDA: nova força de resposta a desastres também será destaque
Outro eixo do seminário será a Força de Resposta Imediata a Desastres Ambientais (FRIDA).
Segundo as informações divulgadas, a FRIDA é uma tropa de pronto-emprego do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) criada para atuar em calamidades públicas e desastres.
Durante a COP30 realizada no Brasil, a Marinha firmou parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) para a criação da força.
A iniciativa coloca a prontidão militar para situações de calamidade dentro de uma discussão mais ampla sobre preparação, monitoramento e resposta a eventos extremos.
O tema ganha peso diante do histórico recente informado sobre a atuação dos Fuzileiros Navais. Nos últimos seis anos, o CFN foi empregado em mais de 11 crises humanitárias, segundo os dados fornecidos para o evento.
O histórico mencionado também inclui a presença dos Fuzileiros Navais no Haiti e no Chile após terremotos que atingiram os dois países.
Forças Armadas e resposta a desastres: por que o tema ganha importância
A apresentação do Hospital de Campanha permite observar uma característica das capacidades militares que assume relevância fora de situações de conflito: a possibilidade de mobilizar rapidamente pessoal, logística, comunicações e estruturas especializadas para regiões atingidas por calamidades.
Hospitais expedicionários, meios de transporte, sistemas de comunicação e unidades preparadas para busca e resgate podem assumir funções importantes quando a infraestrutura civil é pressionada ou parcialmente interrompida.
A experiência do HCamp brasileiro apresentada no seminário oferece um caso concreto para esse debate.
Ao mesmo tempo, a discussão sobre a FRIDA desloca o foco da reação para a preparação permanente. Uma tropa concebida para pronto emprego procura reduzir o intervalo entre a ocorrência de uma calamidade e a mobilização de capacidades destinadas à resposta.
O seminário também permitirá discutir os limites e as necessidades dessa estrutura, reunindo atores militares, civis, acadêmicos e organismos ligados à saúde e à gestão de desastres.
Nesse sentido, o encontro no Rio vai além da exposição de um Hospital de Campanha. A experiência brasileira na Venezuela funcionará como ponto de partida para uma questão estratégica: como aprimorar a capacidade nacional de responder rapidamente quando um desastre exige recursos que ultrapassam as estruturas disponíveis no local?
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