Palestra de abertura discutiu como a tecnologia pode apoiar o diagnóstico, o tratamento e a pesquisa em saúde
A Inteligência Artificial (IA) foi o centro das discussões na abertura do 64º Congresso Científico do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe-Uerj), nesta terça-feira (25/08). Com o tema “Saúde 5.0, conectando tecnologia e humanização”, o evento colocou em debate o impacto da tecnologia na medicina e as possibilidades de ampliação da IA no Sistema Único de Saúde (SUS).
A palestra de abertura foi realizada pelo professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Marcelo Hoff, que apresentou avanços, possibilidades e desafios relacionados ao uso da Inteligência Artificial na área da saúde, com destaque para o diagnóstico e o tratamento do câncer.
Segundo Hoff, a IA pode contribuir para tornar processos da medicina mais rápidos e eficientes. Entre as aplicações estão o apoio à identificação de lesões, o desenvolvimento de pesquisas e a busca por novos medicamentos. A tecnologia também pode auxiliar profissionais de saúde na análise de informações e na tomada de decisões.
O avanço da Inteligência Artificial, no entanto, também traz desafios. Durante a apresentação, o professor chamou atenção para as chamadas “alucinações” dos sistemas, situações em que a tecnologia produz informações incorretas apresentadas como verdadeiras. Vazamento de dados e respostas equivocadas também estão entre os riscos que precisam ser considerados na utilização da ferramenta em ambientes de saúde.
Durante a mesa de abertura, o secretário de Estado de Saúde, Ronaldo Damião, também destacou o papel da tecnologia na transformação da medicina, ressaltando a importância de que os avanços sejam acompanhados pelo cuidado e pela humanização no atendimento. Segundo ele, novas ferramentas já fazem parte do cotidiano da saúde e podem contribuir para qualificar a assistência aos pacientes. “O congresso é um fórum de discussão e de troca de experiências sobre a medicina do futuro”, afirmou.
Para Paulo Hoff, a Inteligência Artificial tende a ser incorporada ao trabalho dos profissionais de saúde, atuando como uma ferramenta de apoio, e não como substituta do médico. “A Inteligência Artificial não substituirá o médico; ela atuará como uma extensão de suas capacidades, otimizando tarefas repetitivas e auxiliando na tomada de decisão”, afirmou.
O congresso, que segue até o dia 28, reúne conferências, apresentações de pesquisas e diálogos com a comunidade acadêmica. Mais de 2.250 pessoas se inscreveram para participar do evento, entre profissionais de saúde, residentes, pós-graduandos e estudantes. Mais de 600 projetos já foram apresentados durante o HackuHUPE - maratona universitária que vai premiar as melhores ideias de inovação no sistema público de Saúde.
A programação busca discutir como novas tecnologias podem contribuir para a saúde pública sem deixar de lado a humanização do atendimento. Nesse cenário, a Inteligência Artificial aparece como uma das principais ferramentas para a construção de uma medicina cada vez mais tecnológica, mas ainda centrada nas pessoas.
O contexto da matéria iniciar se em 00:00 e seu término está em 00:00.
O contexto da matéria iniciar se em 00:00 e seu término está em 00:00.