Cientistas políticos ouvidos pelo POPULAR avaliam que o cenário de disputa ao governo estadual neste ano mostra baixo potencial para que os candidatos a vice consigam confirmar o desejo por protagonismo . A única exceção, segundo os especialistas, estaria no possível peso da filha do ex-governador Iris Rezende, Ana Paula Rezende (PL), que assume papel de maior destaque na campanha do senador Wilder Morais (PL), além de representar a conhecida trajetória política do pai.
Mesmo neste caso, segundo os especialistas, não há perspectiva de impacto relevante na corrida ao Palácio das Esmeraldas. "Entre as chapas ao governo, a encabeçada por Wilder realmente é a única que tem na vice algum destaque, muito pelo legado e o nome de Iris Rezende Machado, mas, do ponto de vista político, acho que é uma possibilidade muito remota que a possível iniciativa da Ana Paula possa ocorrer no sentido de buscar luz própria ou espaço próprio", aponta o professor aposentado da UFG, Pedro Célio Alves Borges.
"Ela vai ter que construir o seu espaço e sua rede de relações, além de ser provada na dureza da política. Tenho a impressão de que nem durante essa campanha ela consegue tudo isso", afirma o doutor em sociologia, que indica provável "papel secundário", mesmo no caso de eventual governo do PL em Goiás. "Os outros vices nas chapas ao governo são desconhecidos e é muito difícil sequer que o eleitor saiba quem são até o fim da eleição", completa Pedro Célio.
Para Guilherme Carvalho, professor da UFG, todos os candidatos a vice lançados nesta disputa ao governo partem de baixo conhecimento e utilizam a campanha como catapulta para possíveis novas candidaturas em eleições seguintes. "Dos perfis todos que temos nesta eleição, todos toparam ser vices justamente para poder compor e se lançar a um patamar mais alto, tendo a chance de serem visualizados pelo eleitorado mais amplo", avalia.
"Essa possibilidade vale para a campanha mas também para a chance de eventualmente serem governadores e começarem a ter mais protagonismo. Então, os vices, via de regra, são figuras com baixa capacidade de agregação de amplos grupos políticos, mas que agregam com algum setor importante para a chapa", considera. O especialista aponta a representação do segmento evangélico, pelo ex-senador Luiz Carlos do Carmo (PSD), na chapa com o governador Daniel Vilela (MDB), e a produtora rural Jacqueline Zaiden (PSDB), ao lado do ex-governador Marconi Perillo (PSDB).
"A vice do Marconi é uma figura bastante desconhecida e nunca disputou nenhuma eleição. Talvez o caminho seja justamente o planejamento para tentar alçar voos mais altos de repente, como a disputa pela prefeitura de Rio Verde na próxima eleição, eventualmente", diz. "A única mais conhecida é a Ana Paula Rezende, mas é conhecida não por ela mesma, mas pelo pai. Neste sentido, muito se fala da estratégia em torno dela para a campanha em relação a Goiânia", aponta o cientista político.
O professor da PUC/GO, Pedro Pietrafesa, confirma a avaliação geral de que os candidatos a vice não encontram potencial de influenciar a campanha ao governo de Goiás, mas indica que Luiz Carlos do Carmo poderá encontrar papel mais relevante que os concorrentes em eventual segundo mandato de Daniel Vilela. O especialista cita a trajetória empresarial do ex-senador, além do fato de que o vice assumiria os últimos oito meses de gestão em 2030.
"Nesta campanha, apenas o vice de Daniel Vilela tem real impacto pelo influência no segmento religioso, com os evangélicos, mas ele também tem interesses em questões relacionadas aos minerais raros. Então tem empresas que focam na exploração de minerais e, portanto, esse é um vice, dentro desse quadro de candidaturas, que pode ser mais atuante durante a gestão e ter um papel político mais predominante, mesmo sendo desconhecido do público como os outros", considera Pedro Pietrafesa.
Luiz do Carmo atua como empresário no ramo da mineração sendo proprietário de cinco usinas de extração de calcário no interior do estado.
Reconhecendo e reforçando a importância dos benefícios sociais para a proteção das famílias mais vulneráveis, os candidatos ao governo de Goiás prometem a ampliação e fortalecimento dos programas estaduais já existentes.
Em meio ao apontamento do setor produtivo de que uma das dificuldades para suas contratações está vinculada à abrangência das "bolsas", os governadoriáveis se dividem entre as críticas a essa postura do meio empresarial e a indicação de mais medidas para o reforço na "porta de saída" da assistência social.
Entre as ações neste sentido, colocam iniciativas para uma maior participação na formação profissional, na capacitação direcionada a setores específicos e na facilitação de crédito para o empreendedorismo em Goiás. Confira!
Daniel Vilela (MDB)
"Os programas sociais de Goiás não foram pensados para substituir o trabalho, mas para proteger famílias vulneráveis e criar condições para que conquistem autonomia. Foi assim que mais de 600 mil goianos superaram a pobreza nos últimos anos. O Goiás Social, que reúne as políticas de assistência do Estado, atua em três eixos: atendimento emergencial, proteção social e emancipação. É essa lógica que queremos fortalecer. Ninguém pode ficar desamparado, mas a política pública deve criar condições para a independência. A principal porta de saída é gerar oportunidades, com qualificação, educação e ocupação. Temos exemplos como o Aprendiz do Futuro, que contratou 11 mil jovens desde 2019; o ProBem, com mais de 55 mil bolsas de ensino superior; e as Escolas do Futuro, que formam profissionais em tecnologia. Queremos conectar essa formação ao mercado e ampliar as oportunidades de geração de renda. Goiás criou 44,3 mil empregos formais no primeiro semestre de 2026. Vamos continuar protegendo quem precisa e ampliando os caminhos para a autonomia."
Danilo da Silva (PCO)
"Os programas sociais são uma necessidade diante das condições muito adversas da classe trabalhadora, o desemprego ou sub emprego e péssimas condições de vida. O PCO defende o reajuste dos programas e geração de emprego e renda com o desenvolvimento do país. O PCO defende a Redução da Jornada de Trabalho para 35 horas semanais, sem redução salarial, aumento do salário e cumprimento do salário mínimo vital previsto na Constituição Federal que hoje não poderia ser inferior a R$ 7.500,00."
Luciana Amorim (UP)
"Não partimos da ideia de que os trabalhadores deixam de procurar emprego porque recebem benefícios sociais. Essa interpretação responsabiliza o trabalhador por um problema que é estrutural: no capitalismo, o desemprego e a precarização funcionam como mecanismos de pressão sobre a classe trabalhadora. Por isso, a Unidade Popular não defende retirar direitos ou reduzir benefícios para forçar pessoas a aceitar empregos precários. Nossa proposta é fortalecer a assistência social e, principalmente, garantir trabalho digno como direito. Em Goiás, a principal porta de saída deve ser a criação de empregos públicos e socialmente necessários, com salário justo, direitos e condições adequadas de trabalho. Ao mesmo tempo, os programas devem assegurar a sobrevivência daqueles que não conseguem trabalhar ou estão fora do mercado. A questão central não é diminuir a proteção social para aumentar a oferta de mão de obra, mas enfrentar o desemprego, a informalidade e a exploração. O estado deve garantir condições para o trabalhador não aceitar qualquer emprego para sobreviver."
Luis Cesar Bueno (PT)
"Segundo o IPEA, cada R$1 investido no Bolsa Família vira R$1,78 no PIB. Cada R$1 no BPC vira R$1,19 no PIB. O Pé de Meia, do Lula, aumentou o número de adolescentes no ensino médio, e, também fez com que 58% de jovens a mais fizessem o Enem. A Regra de Proteção do Bolsa Família, por exemplo, garante o pagamento de 50% do programa mesmo para as pessoas que começam a trabalhar ao menos por 2 anos. Os programas sociais do estado, mesmo atingindo pouquíssimos goianos, se comparados com os subsídios do governo Lula, cumprem este papel. Ninguém deixa de trabalhar porque recebe um benefício social. Como governador, a principal medida para a porta de saída da assistência social é trabalhar junto com as universidades, criando escolas de tempo integral com ensino profissionalizante, e subsidiando, junto com as empresas, um arranjo produtivo que inclua esses profissionais de forma digna. Gerando emprego e renda de forma qualificada, aumentando a produtividade de todos os setores e, também, fazendo justiça social."
Marconi Perillo (PSDB)
"Em meus governos, criamos uma ampla rede de proteção social, com programas como Renda Cidadã (que o governo federal usou como modelo na criação do Bolsa Família), Bolsa Universitária, Cheque Moradia, Banco do Povo, Restaurante Cidadão e Jovem Cidadão, entre outros. Sempre defendi que o Estado deve proteger quem precisa, mas também oferecer caminhos para conquistar autonomia. Vamos retomar, modernizar e integrar mais essas políticas. Nossa principal porta de saída será unir assistência social, qualificação profissional, emprego, empreendedorismo e crédito. Já fizemos isso com programas de capacitação, com o Banco do Povo e com a Goiás Fomento e vamos avançar ainda mais aproximando a formação profissional das vagas que as empresas precisam preencher em cada região. Quem puder trabalhar terá qualificação e acesso ao emprego; quem quiser empreender terá capacitação e crédito. Programa social não pode significar dependência permanente nem abandono de quem precisa. A verdadeira porta de saída é a oportunidade de trabalho, renda e autonomia."
Wilder Morais (PL)
"Os programas sociais têm de amparar na hora da dificuldade e abrir o caminho de volta ao trabalho. Vamos preservar o que funciona e criar programas que facilitem a independência financeira. Nosso governo terá o Começo Certo, que vai cuidar da gestante em situação de vulnerabilidade da gravidez aos primeiros anos do bebê, em parceria com os municípios. Ela terá apoio financeiro e psicológico, visitas em casa, enxoval antes do parto e prioridade na creche, para que a mãe possa trabalhar.
Para gerar emprego teremos a CNH do Trabalho. O Estado vai pagar as categorias profissionais de moto, caminhão e ônibus para quem está inscrito nos programas sociais, com turmas abertas a partir da demanda em transportadoras, indústrias e produtores rurais. Também teremos o Curso com Vaga, com formação ligada a vagas reais, e o Primeiro Salário, em que o Estado assume meio salário mínimo nos seis primeiros meses do jovem sem experiência. O setor produtivo precisa de gente preparada, e o goiano quer trabalhar. O governo vai ser parceiro e fazer essa ponte."
A 14ª rodada da Divisão de Acesso do Campeonato Goiano teve como destaques o Goiânia, que voltou a vencer após cinco jogos na estreia do técnico Ito Roque, e os tropeços dos dois primeiros colocados. Rio Verde e Bom Jesus não venceram na rodada, mas seguem no G2 da competição.
Veja os resultados da 14ª rodada da Divisão de Acesso
Grêmio Anápolis 2x2 Bom Jesus
São Luis 1x1 Trindade
Goiânia 2x1 Morrinhos
Mineiros 1x0 Tupy
Goianésia 1x1 Rio Verde
Confira a classificação* da Divisão de Acesso:
1º: Rio Verde - 28 pontos
2º: Bom Jesus - 24 pontos (saldo de 6 gols)
3º: Goianésia - 24 pontos (saldo de 2 gols)
4º: Morrinhos - 19 pontos (Maior número de gols marcados: 20)
5º: Mineiros - 19 pontos
6º: Goiânia - 18 pontos
7º: Tupy - 17 pontos
8º: São Luis - 15 pontos
9º: Grêmio Anápolis - 11 pontos
10º: Trindade - 9 pontos
*Os dois primeiros colocados sobem para a elite do Goianão e os dois últimos são rebaixados
(Augusto Nunes é estagiário do Grupo Jaime Câmara em convênio com a Universidade Federal de Goiás.)
A vinda do senador e candidato à Presidência da República do PL, Flávio Bolsonaro, em Goiânia no próximo domingo (27) é aposta do grupo do PL em Goiás para reforçar as candidaturas bolsonaristas no Estado e repetir o cenário das eleições municipais de 2024, marcadas pela forte polarização com o grupo do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD). A agenda oficial ainda não havia sido fechada até a noite de quarta-feira (23), mas a assessoria de Flávio confirmou a previsão de motocarreata na capital.
A expectativa do senador Wilder Morais (PL), candidato ao governo, é de crescer na reta final e conseguir chegar ao segundo turno contra o governador e candidato à reeleição Daniel Vilela (MDB). A pesquisa Quaest/TV Anhanguera do mês passado ainda mostrava o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) em segundo lugar. Já o deputado federal Gustavo Gayer (PL), considerado favorito para um das duas vagas ao Senado, quer capitalizar a força do bolsonarismo e ampliar sua vantagem. Wilder contou com a onda pró-PL em 2022, quando se elegeu ao Senado.
De outro lado, como o Giro mostrou na terça-feira (23), Caiado reforça a agenda em Goiás nesta reta final, depois de não conseguir decolar nas pesquisas para a Presidência da República e em estratégia para tentar conter a ascensão do grupo adversário. A agenda do ex-governador nesta quinta-feira (24) prevê caminhada em Goiânia, carreata em Senador Canedo (Região Metropolitana) e reunião de candidato a deputado federal aliado.
No domingo, Daniel deve realizar carreata em Goiânia, mas a região ainda não foi divulgada. O QG do governador afirma que a agenda já vinha sendo fechada e não terá alterações relacionadas aos compromissos do PL.
A vinda de Flávio foi anunciada em um vídeo de Gayer e Wilder nas redes sociais na noite de terça-feira (22). Segundo os candidatos, a concentração dos apoiadores ocorrerá às 14h30, no estacionamento do Estádio Serra Dourada, de onde o grupo sairá em motocarreata até o Parque Flamboyant, no Jardim Goiás. Por volta de 17 horas, será realizado um comício no local.
Na tarde desta quarta-feira (23), Wilder divulgou vídeo semelhante, também ao lado de Gayer, em que diz que a agenda está confirmada. "Vai ser gigante. Vamos mostrar que Goiás é de direita", diz o deputado. "Precisamos de você para dar a maior recepção da história ao nosso líder", afirma Wilder.
Flávio esteve em Goiás por dois dias no lançamento da pré-candidatura ao governo, em junho, mas o QG de Wilder considerava baixa a chance de ele voltar ao Estado na campanha do primeiro turno. A articulação partiu principalmente de Gayer, que nesta quarta esteve em São Paulo para participar de live de Flávio ao lado de outros candidatos do PL nos Estados. No vídeo que anunciou a agenda do presidenciável em Goiânia, o deputado afirma que o "Nordeste está acordando e se cobrindo de verde e amarelo" e que "Goiás não pode ficar para trás".
Nas eleições de 2024, antes de ser condenado e preso, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve presença forte na campanha nos três maiores colégios eleitorais de Goiás e foi considerado decisivo para que o candidato do PL em Goiânia, o ex-deputado estadual Fred Rodrigues, alcançasse a dianteira no primeiro turno. Caiado apoiou Sandro Mabel (UB), que venceu no segundo turno, com apoio do eleitorado de Adriana Accorsi (PT), terceira colocada na disputa.
Jair veio a Goiás duas vezes no primeiro turno (na pré-campanha, em junho, e na campanha, em setembro), uma vez no segundo e passou o dia da eleição na capital goiana, quando acompanhou a apuração na casa de Wilder. A escolha foi considerada simbólica por marcar o enfrentamento a Caiado, seu ex-aliado. No comício na capital, ele também fez ataques ao ex-governador.
O grupo governista alega que, ao final, pesou mais para o eleitor a experiência de gestão de Mabel e o apoio político, incluindo a forte popularidade de Caiado. A aposta é que o mesmo ocorrerá neste ano, diante do sentimento de continuidade por parte do eleitorado, que aparece forte nas pesquisas.
Em outro argumento para minimizar a influência de Flávio no cenário local, Daniel também tem dito que a população goiana nunca associou a eleição presidencial à disputa estadual. Em 2022, quando Caiado foi reeleito no primeiro turno, o candidato bolsonarista Major Vitor Hugo (PL) terminou em terceiro lugar. O peso maior ocorreu na disputa ao Senado, com Wilder.
Além de ainda tentar buscar a eleição de Daniel no primeiro turno, Caiado estará focado na vaga para a ex-primeira-dama Gracinha Caiado (UB) no Senado e em sua própria vitória em seu Estado. Ainda que não tenha se tornado competitivo no cenário nacional, aliados consideram que ficar em primeiro lugar em Goiás ajudaria a manter seu capital político para as próximas eleições - influência sobre 2028 e possível tentativa de retorno em 2030.
Além de Wilder e Gayer, o PL tem o nome do vereador de Goiânia Oséias Varão na disputa ao Senado. Nos bastidores, os QGs de campanha têm comentado que pesquisas internas apontam uma variação positiva do candidato em meio à campanha conjunta com Gayer, mas ele ainda não teria potencial para garantir a outra vaga.
Os quatro candidatos a vice das principais chapas majoritárias na disputa ao governo de Goiás esperam assumir protagonismo em eventual mandato a partir de 2027 e rejeitam a possibilidade de terem atuação restrita ao posto figurativo, apenas com papel secundário em relação ao titular. Além de se apresentarem para participação direta na eventual execução do plano de governo, os vices já realizam ações individuais de campanha, com o objetivo de registrar a própria contribuição na busca por votos e apoios.
Com participação em apenas alguns eventos da campanha do governador e candidato à reeleição, Daniel Vilela (MDB), o candidato a vice, Luiz Carlos do Carmo (PSD), mantém rotina diária de reuniões solo focadas principalmente em lideranças evangélicas nas regiões do estado. Em discurso na última semana, o ex-senador pediu diretamente que o governador, caso reeleito, o coloque "debaixo do braço", assim como ocorreu com o próprio Daniel durante o segundo mandato do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD).
"Daniel, obrigado por você ter me escolhido aqui para ser seu vice. Pode deixar que eu vou honrar você. Caiado, eu só pedi um favor para o Daniel: que ele me coloque debaixo do braço, igual você fez com ele. Você só saiu e ele continuou, não teve dificuldade nenhuma, né? Eu só quero isso", discursou.
O discurso do candidato a vice, durante comício em Aparecida de Goiânia, relembra a estratégia executada para transferir o protagonismo de Caiado para Daniel, desde 2023, com vistas à posse do emedebista e à viabilização da candidatura à reeleição, na disputa deste ano. O mesmo processo poderia ocorrer com Luiz do Carmo em 2030, em caso de vitória governista no próximo mês. Nos bastidores, lideranças aliadas avaliam que a participação do vice deverá ficar restrita à administração e citam o acordo que levou o ex-senador à chapa de Daniel.
Pelo acerto, fechado nos últimos momentos da pré-campanha, Luiz do Carmo seria o escolhido para compor a chapa desde que não busque a eventual sucessão em 2030, que seria reservada a Caiado ou a alguém que o ex-governador indicasse. "Se o Daniel ganha e eu sou vice, ele vai ter um cara de confiança dele para se eleger senador. Somos um grupo. Se o Caiado falar que quer voltar, eu não vou ser obstáculo", definiu o candidato em declaração ao Giro.
Além da fidelidade ao grupo, a definição do ex-senador para o posto passou pela influência de seu grupo político junto ao segmento evangélico. Luiz do Carmo é irmão do bispo Oídes José do Carmo, líder da Assembleia de Deus Ministério de Campinas. "Caiado, você não está em Goiás, mas a campanha está alegre. É muito fácil pedir votos e a missão que você deu para mim e para o bispo Oídes está sendo cumprida. Fica tranquilo, viu? Porque nós estamos aqui", discursou o candidato.
Voto e gestão
Candidata a vice-governadora na chapa encabeçada pelo senador Wilder Morais (PL), Ana Paula Rezende (PL) avalia já ocupar um protagonismo na campanha ao governo estadual e afirma ter garantias de que a própria participação, baseada na defesa do legado do pai, o ex-governador Iris Rezende, terá papel decisivo em eventual mandato. Ana Paula alterna a agenda entre eventos conjuntos com Wilder e compromissos solo, focados principalmente em redutos iristas na região metropolitana de Goiânia.
"O legado do meu pai tem uma importância enorme no nosso projeto. Não apenas pela força política que representa, mas, principalmente, porque nos dá a direção", avalia a candidata em resposta à reportagem. Segundo Ana Paula, a intenção da chapa ao Executivo é "resgatar" uma administração estadual próxima para "transformar a vida das pessoas".
"É exatamente assim que pretendo trabalhar no governo: não quero ser uma vice decorativa. Quero ser uma vice presente e operante. Minha principal missão será cuidar das mulheres goianas e das camadas que mais precisam do poder público. E quando falo em cuidado, falo de forma integral", avalia a postulante do PL.
Desde 20 de fevereiro, quando apresentou a saída de Ana Paula do MDB e a composição para a vice, Wilder Morais aponta que a referência a Iris Rezende define projetos para retomar os mutirões em diversas áreas da gestão, além do retorno e ampliação de políticas habitacionais para entrega de casas.
Segmento
Enquanto Luiz do Carmo foca a agenda própria com o segmento evangélico e Ana Paula trabalha na região metropolitana da capital, a candidata a vice na chapa do ex-governador Marconi Perillo (PSDB), Jacqueline Zaiden, realiza a maior parte dos compromissos na região sudoeste, especialmente em Rio Verde. Além de buscar a mobilização do setor do agronegócio junto à campanha tucana, a produtora rural e empresária espera ter participação ativa na definição das prioridades de eventual governo.
No início da campanha, o candidato a governador anunciou que a sua candidata a vice será secretária de estado, caso a chapa seja eleita. A confirmação ocorreu em meio à argumentação do tucano sobre a formação de coligação com poucos partidos e defesa de "independência" para a composição de equipe em eventual governo, mas não houve antecipação sobre que pasta seria chefiada por ela.
Jacqueline Zaiden confirma a defesa por "renovação" das práticas políticas e rejeita a possibilidade de ser apenas uma vice "figurativa". "Quero avaliar o que pode dar certo, com base no que o setor quer, por sentir na pele as necessidades. Então, o meu papel é ter esse olhar e essa participação de realmente compartilhar o poder. Se a gente quer mudar, tem que começar a fazer as coisas diferentes. A gente precisa realmente trazer gente nova com pensamento diferente", afirma.
Vinculação
Candidato a vice-governador na chapa liderada pelo ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno (PT), o advogado Carlos Mundim (PDT) aponta que a definição por sua participação direta em eventual governo petista em Goiás parte do alinhamento nacional entre as duas siglas. O ex-procurador-geral da Prefeitura de Goiânia também realiza agendas separadas durante a campanha, principalmente com o objetivo de "reconstruir" as bases do partido, que passou por duas mudanças de comando no estado nos meses anteriores à eleição deste ano.
"Nossa aliança é bem propositiva nesse sentido, com participação efetiva inclusive na elaboração do plano de governo. Incluímos situações que são prioridades para o PDT, como escolas em tempo integral, que é um carro-chefe da nossa campanha", conta o candidato que cita o fato de o partido ter sido o primeiro a definir apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "Nós teremos uma participação ativa no governo e esse é um compromisso da coligação, mas não foi discutido nada pormenorizado. Mas vamos ter uma função, uma participação protagonista", aponta.
O contexto da matéria iniciar se em 00:00 e seu término está em 00:00.
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