Rozana Naves, entre os colegas reitores Carlos Henrique de Carvalvalho (UFU) e Angelita Pereira de Lima (UFG), celebra criação do INC. Foto: Gustavo Prado/Secom UnB
A Universidade de Brasília (UnB) sediou a reunião que oficializou a criação do Instituto Nacional do Cerrado (INC). A iniciativa reúne 19 universidades e instituições de ensino e pesquisa comprometidas com a preservação do bioma e com a construção de caminhos voltados à promoção da justiça socioambiental no território do Cerrado. O encontro ocorreu nesta terça-feira (16), no Salão de Atos da Reitoria.
A reitora Rozana Naves destacou que a reunião consolidou decisões construídas ao longo de mais de dois anos de articulação. Para ela, o momento simboliza o encerramento de um ciclo de debates e o início de uma nova etapa, marcada por encaminhamentos concretos para a criação jurídica do Instituto e a definição de seus primeiros passos. “A criação do Instituto é resultado de um longo processo de diálogo e articulação, iniciado em 2023, entre as universidades, instituições de pesquisa e ensino e pesquisadores, que veem o INC como fundamental para conter o processo acelerado de degradação do Cerrado”, disse.
O INC nasce com a missão de articular e integrar pesquisas científicas e tecnológicas voltadas aos desafios ambientais e sociais do bioma, que já perdeu mais de 50% de sua vegetação original e é considerado um dos hotspots globais de biodiversidade. Entre as frentes prioritárias estão o enfrentamento das mudanças climáticas, a contenção da degradação ambiental, o fortalecimento da bioeconomia, a restauração ecológica e o desenvolvimento de soluções baseadas na natureza, sempre com foco na sustentabilidade e na melhoria da qualidade de vida das populações do território.
Uma Diretoria Executiva Provisória foi definida e vai ter mandato de seis meses. A professora Mercedes Bustamante, da Universidade de Brasília, assumiu a função de diretora-executiva, enquanto o professor Laerte Guimarães Ferreira, da Universidade Federal de Goiás (UFG), foi escolhido como diretor administrativo-financeiro. Com a formalização da associação civil, o Instituto passa a ter endereço provisório em sala na UnB, onde já funcionava o comitê responsável pela articulação de sua criação.
INC vai integrar pesquisas sobre bioma que já perdeu mais de 50% da vegetação original. Foto: Juca Varella/Agência Brasil
Ao comentar os próximos passos do Instituto, a professora Mercedes Bustamante ressaltou o caráter coletivo e colaborativo da iniciativa e a importância da presença das universidades e centros de pesquisa distribuídos pelo bioma. Segundo ela, essa capilaridade amplia a capacidade de produzir conhecimento qualificado, conectado às realidades locais e com maior eficiência. “A gente tem uma oportunidade muito boa de começar alavancando o tema da sociodiversidade e da socioeconomia, trazendo também os povos e comunidades tradicionais como o centro dessa discussão”, afirmou.
Já o professor Laerte Guimarães Ferreira destacou que o período pró-tempore será decisivo para estruturar o Instituto do ponto de vista legal e institucional. Ele explicou que os próximos meses serão dedicados à organização da governança e à busca de recursos que viabilizem as primeiras ações e ampliem a visibilidade do Cerrado no cenário nacional e internacional. “Hoje nós estamos dando um passo que eu diria histórico. É um momento muito simbólico, com muitos significados. Agora temos seis meses para que a gente possa, do ponto de vista legal e institucional, ter um instituto efetivamente criado.”
JUSTIÇA SOCIOAMBIENTAL – Ao sediar a criação do Instituto e liderar esse processo de articulação, a Universidade de Brasília reafirma seu compromisso histórico com a preservação do meio ambiente e com a promoção da justiça socioambiental. A UnB acolheu encontros estratégicos que contribuíram diretamente para a consolidação do INC, fortalecendo a integração entre produção científica, formulação de políticas públicas e conservação ambiental.
Esse protagonismo também se reflete na atuação da Universidade na agenda climática internacional. A UnB sediou eventos preparatórios para a COP30, reunindo representantes do governo, diplomatas, pesquisadores e a sociedade civil para discutir ação climática, justiça socioambiental e participação social. Paralelamente, realizou sua própria Pré-COP, com programação voltada à comunidade acadêmica e ao público externo, ampliando o diálogo sobre os desafios ambientais contemporâneos e o papel das universidades na construção de um futuro socialmente justo e ambientalmente sustentável.
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