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Fóssil de peixe raro encontrado no Brasil revela segredos de animal que viveu 254 milhões de anos atrás pouco antes de extinção em massa global
Exemplar preserva quase todo o corpo, algo raríssimo para peixes continentais desse período; descubra por que o achado intriga a comunidade científica
Publicado
em
26/08/26 16:24
Por Cadu Bruno
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Fóssil de Leolepis matogrossensis, o peixe pré-histórico encontrado em Mato Grosso com 254 milhões de anos. Foto: Journal of South American Earth Sciences (2026)
Fóssil encontrado em Mato Grosso pertenceu a um peixe que viveu 254 milhões de anos atrás, pouco antes do maior evento de extinção em massa já registrado pela ciência. A espécie foi descrita em estudo publicado em julho de 2026 no Journal of South American Earth Sciences com participação de pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Batizada de Leolepis matogrossensis, a espécie é classificada como o peixe de nadadeiras raiadas do Permiano mais bem preservado já achado em Mato Grosso. A maior parte dos peixes dessa época conhecidos no Brasil resume-se a dentes, escamas ou fragmentos. Neste caso, o exemplar conserva quase todo o corpo, o que é raro em escala mundial entre peixes continentais do Permiano Superior.
Morfologia e hábitos alimentares
O animal media cerca de 15 centímetros e pertencia ao grupo dos actinopterígios, que reúne aproximadamente 96% de todos os peixes vertebrados hoje existentes, incluindo atum, salmão e bacalhau. Seu corpo era revestido por escamas compostas de dentina e esmalte, os mesmos materiais dos dentes humanos. Com base no tamanho reduzido dos dentes, os pesquisadores concluem que Leolepis se alimentava de pequenos invertebrados e plantas.
O fóssil foi achado no município de Alto Garças a apenas 50 quilômetros da cratera de Araguainha, a maior e mais bem preservada estrutura de impacto de asteroide da América do Sul. A cratera tem cerca de 40 quilômetros de diâmetro e foi formada pelo choque de um asteroide estimado entre 2 e 3 quilômetros. O impacto ocorreu em período próximo ao fim do Permiano, quando Leolepis ainda habitava a região, embora as evidências disponíveis não permitam apontá-lo como causa direta da extinção em massa.
Características da nova espécie Leolepis matogrossensis
Entenda os detalhes morfológicos e a origem do fóssil encontrado em Mato Grosso
🐟
Identificação e origem do fóssil
Batizado de Leolepis matogrossensis, o peixe viveu há 254 milhões de anos no município de Alto Garças.
🛡️
Composição das escamas e proteção
A espécie apresentava escamas resistentes feitas de dentina e esmalte, materiais idênticos aos dentes humanos.
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Porte físico e hábitos alimentares
Com apenas 15 centímetros, o animal possuía dentes reduzidos e se alimentava de plantas e pequenos invertebrados.
✨
Estado de preservação excepcional
Diferente de outros achados parciais, este exemplar conserva praticamente todo o corpo do animal pré-histórico.
Essa extinção, chamada de Permo-Triássica e datada de aproximadamente 252 milhões de anos atrás, eliminou cerca de 78% da vida terrestre e até 95% das espécies marinhas. O peixe descrito agora vivia num grande sistema aquático continental formado a partir de um antigo mar interior, quando América do Sul e África ainda compunham o supercontinente Gondwana.
Coleção e homenagem ao geólogo que fez a coleta
O espécime foi coletado em 2005 pelo geólogo Léo Adriano de Oliveira e está depositado na Coleção Paleontológica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), sob o registro UFMT-353 a,b. O nome Leolepis é uma homenagem a ele; matogrossensis faz referência ao estado onde o fóssil foi encontrado.
Achado raro de 15 centímetros preserva escamas de dentina; animal viveu antes da extinção Permo-Triássica. Foto: Journal of South American Earth Sciences (2026)
A pesquisadora da Uerj Valéria Gallo, que participou da descrição morfológica e validação do estudo, afirma que, “por estar excepcionalmente preservado, o exemplar pode ajudar os pesquisadores a reconhecer a presença da espécie em outras áreas da Bacia do Paraná e a estabelecer novas correlações entre diferentes formações geológicas”. Para a equipe, a descoberta também sinaliza que outros fósseis relevantes ainda podem ser encontrados no Brasil e em diferentes regiões da América do Sul.
O estudo reuniu pesquisadores da Uerj, do Natural History Museum de Londres e da UFMT, com contribuições adicionais de Sam Giles, da University of Birmingham.
Tópicos relacionados:ciênciaUERJ
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