O achado é considerado raro porque fósseis de peixes dessa época encontrados no Brasil costumam aparecer apenas em partes, como dentes, escamas e fragmentos de ossos.
O estudo, publicado em julho no "Journal of South American Earth Sciences", aponta que esse é o peixe do Permiano (último período geológico da Era Paleozoica) mais bem preservado já encontrado em Mato Grosso.
O Leolepis viveu em uma região ocupada por um grande ambiente de água doce. Com o fóssil quase completo, os pesquisadores conseguiram analisar partes do crânio, das mandíbulas e das escamas e comparar o animal com outros peixes antigos.
“Por estar excepcionalmente preservado, o exemplar pode ajudar os pesquisadores a reconhecer a presença da espécie em outras áreas da Bacia do Paraná e a estabelecer novas correlações entre diferentes formações geológicas”, disse Valéria Gallo, pesquisadora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e uma das autoras do estudo, em um comunicado.
O peixe viveu no fim do Permiano, pouco antes da maior extinção em massa conhecida da história da Terra, ocorrida há cerca de 252 milhões de anos.
Nesse evento, mais de 70% das espécies terrestres e cerca de 94% das espécies marinhas desapareceram, segundo os dados citados no estudo. As principais hipóteses científicas relacionam essa crise ambiental a grandes episódios de atividade vulcânica.
O fóssil também foi encontrado em uma região que chama atenção por outro motivo: o local fica a cerca de 50 quilômetros da cratera de Araguainha, entre Mato Grosso e Goiás.
Com aproximadamente 40 quilômetros de diâmetro, ela é considerada a maior e mais bem preservada estrutura de impacto conhecida na América do Sul. A cratera foi formada pela colisão de um asteroide estimado em 2 a 3 quilômetros de diâmetro.
Apesar da proximidade, o estudo não aponta o impacto como causa da grande extinção do fim do Permiano. Os autores afirmam que o Leolepis viveu antes da colisão e que as rochas onde o fóssil foi encontrado não foram diretamente alteradas pelo evento.
O exemplar foi coletado em 2005 pelo geólogo Léo Adriano de Oliveira e hoje faz parte da coleção paleontológica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá.
O nome da nova espécie também faz referência à história do achado: Leolepis homenageia Léo Adriano de Oliveira, enquanto matogrossensis remete ao estado onde o fóssil foi encontrado.
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