SUL FLUMINENSE/COSTA VERDE
A possibilidade de atuação de um Super El Niño nos próximos meses tem levado municípios do Sul Fluminense e da Costa Verde a reforçarem ações de prevenção, monitoramento e preparação para possíveis eventos climáticos extremos. Em Barra Mansa e Angra dos Reis, as Defesas Civis já trabalham com planos de contingência, sistemas de alerta e acompanhamento das condições meteorológicas, hidrológicas e geológicas.
Comitê uniu os 92 municípios do Estado do Rio de Janeiro - Foto: DivulgaçãoComitê uniu os 92 municípios do Estado do Rio de Janeiro - Foto: Divulgação
A preocupação ganhou destaque durante a reunião do Comitê Estadual de Enfrentamento dos Efeitos do Super El Niño, que reuniu representantes dos 92 municípios fluminenses para discutir medidas de prevenção, preparação e resposta, realizada na manhã desta quinta-feira, dia 20, no auditório da UERJ, no Rio de Janeiro. Para as Defesas Civis, o encontro também representa uma oportunidade de ampliar a integração e compartilhar informações, tecnologias e experiências.
Em Barra Mansa, os principais pontos de atenção nos primeiros meses, entre setembro e novembro, são a baixa umidade do ar, possibilidade de ventos fortes e aumento do risco de incêndios florestais. Posteriormente, a preocupação passa a ser com ondas de calor mais intensas e chuvas isoladas.
“Devido à previsão de um evento de categoria elevada, o que mais nos preocupa são os impactos na cidade, a princípio nesses primeiros meses (setembro, outubro e novembro), com a baixa umidade, possibilidades de ventos fortes e os incêndios florestais”, afirmou o coordenador da Defesa Civil de Barra Mansa, João Vitor Ramos.
Segundo ele, não há expectativa de períodos prolongados de chuva, mas de ocorrências pontuais. “Não se espera as chuvas contínuas e volumosas, mas sim as pancadas de chuvas isoladas, as famosas tempestades de verão”, explicou.
De acordo com João Vitor, as orientações sobre os possíveis efeitos do fenômeno já vêm sendo trabalhadas pela Defesa Civil de Barra Mansa desde a previsão de um evento de forte intensidade.
“Na verdade, as orientações já estão sendo disseminadas há algum tempo, desde quando se houve a previsão de um Super El Niño. Todos os dias realizamos briefings com a Defesa Civil Estadual para envio dos boletins e alinhamento das condições atuais”, disse.
Para ele, a reunião do Comitê Estadual serviu para apresentar ações que já estão em andamento e estabelecer novos procedimentos.
“Essa primeira reunião teve como objetivo a apresentação dessas ações já desenvolvidas e alinhamentos de novos procedimentos”, afirmou.
O trabalho conjunto terá continuidade em setembro, quando estão previstas reuniões presenciais entre órgãos municipais e estaduais durante todas as semanas do mês para o desenvolvimento de ações preventivas.
Em Angra dos Reis, o secretário de Proteção e Defesa Civil, Fábio Júnior, também destacou a importância da integração promovida pelo comitê. Para ele, a união entre os municípios é fundamental porque eventos extremos podem atingir diferentes cidades ao mesmo tempo.
“Desastres não respeitam limites geográficos e administrativos. Uma chuva intensa, uma cheia de rio ou outro evento extremo pode atingir simultaneamente diferentes municípios e exigir uma resposta coordenada entre estruturas municipais, estaduais e federais”, destacou.
Segundo o secretário, o encontro permite compartilhar protocolos, experiências, tecnologias e metodologias de monitoramento.
“Para Angra dos Reis, que possui uma estrutura consolidada de monitoramento e alerta, também é uma oportunidade de compartilhar experiências e, ao mesmo tempo, incorporar soluções desenvolvidas por outros municípios”, explicou.
Fábio Júnior reforçou que o objetivo é fortalecer uma atuação preventiva. “O objetivo é fortalecer uma Defesa Civil cada vez mais integrada, preventiva e preparada para antecipar riscos, melhorar a capacidade de resposta e, principalmente, reduzir danos, prejuízos e perdas de vidas”, completou.
Áreas de risco são monitoradas
Barra Mansa possui um mapa de riscos com pontos suscetíveis a ocorrências geológicas e hidrológicas. O município também identificou 13 Áreas de Preservação Permanente consideradas vulneráveis a incêndios florestais.
Como parte da preparação, foram realizadas reuniões de alinhamento com as secretarias municipais e elaborados um Plano de Contingência para Secas e Incêndios Florestais e outro para Deslizamentos e Inundações.
“Esses planos nos norteiam para tomada de decisões e os protocolos de enfrentamento”, afirmou João Vitor.
O município também mantém o monitoramento em parceria com CEMADEN-RJ, INEA, ANA, Inmet e CEMADEN Nacional, além de realizar vistorias em áreas consideradas de risco.
Em Angra dos Reis, entre as regiões que demandam maior atenção estão Monsuaba, Camorim, Morros do Centro, Ilha Grande, Bracuí, Frade e Parque Mambucaba. A avaliação, no entanto, é feita de maneira territorial e setorial, levando em conta fatores como declividade das encostas, características geológicas, proximidade de rios, drenagem e ocupação urbana.
O município possui pluviômetros automáticos, estações meteorológicas e hidrológicas, sensores de umidade do solo, sistemas de acompanhamento dos rios e marégrafos. Entre os cursos d’água monitorados estão os rios Mambucaba, Perequê, Pontal, Ariró, Bracuí e Japuíba.
Também está previsto um investimento de aproximadamente R$ 6 milhões para a implantação de um radar meteorológico, que deverá ampliar a capacidade de identificar e acompanhar áreas de chuva intensa.
Prevenção começa antes da emergência
Além do monitoramento, os municípios mantêm ações de capacitação, formação de voluntários, testes dos sistemas de alerta, planejamento de pontos de apoio e obras de prevenção.
Em Angra dos Reis, foram realizados investimentos de aproximadamente R$ 300 milhões em obras de contenção de encostas e cerca de R$ 480 milhões em segurança hídrica, por meio do Programa Mais Água.
Fábio reforça que a população também precisa estar preparada. “Não espere a situação se agravar para agir”, orientou.
Entre as recomendações estão cadastrar o celular para receber alertas, conhecer o ponto de apoio mais próximo, conversar com a família sobre como agir em uma emergência e evitar áreas próximas a encostas, rios, córregos e locais sujeitos a alagamentos durante chuvas intensas.
Em Barra Mansa, João Vitor também chama a atenção para os cuidados durante períodos de baixa umidade e para a prevenção de incêndios florestais.
“Ficar atento aos alertas e orientações emitidos pela Defesa Civil e órgãos oficiais. Pois ali podemos enviar as orientações e alertas voltados às condições reais e atuais”, afirmou.
A população também deve comunicar imediatamente situações como novas rachaduras em paredes ou terrenos, árvores e postes inclinados, movimentação de muros, surgimento de água em locais incomuns ou elevação rápida do nível dos rios.
“A prevenção começa com informação, preparação e atitude. A Defesa Civil trabalha para antecipar os riscos, mas a participação da população é fundamental para transformar alerta em proteção e salvar vidas”, concluiu Fábio.
Alertas para a população
As duas cidades utilizam diferentes canais para informar os moradores. Em Barra Mansa, os alertas são emitidos por SMS, Cell Broadcast, sirenes e redes sociais. Para receber as mensagens por SMS, é necessário enviar o CEP para o número 40199, gratuitamente.
Em Angra dos Reis, além do SMS e Cell Broadcast, a população pode receber alertas pelo WhatsApp, Telegram e sirenes. O município possui atualmente 26 sirenes, sendo 20 destinadas a áreas com risco geológico e seis voltadas ao risco hidrológico.
As Defesas Civis orientam os moradores a acompanhar exclusivamente os canais oficiais e seguir as recomendações emitidas pelas autoridades.
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