Realizado pela COPPE/UFRJ e pela Made in Rio, no Leblon, o Hackathon IA 2026 teve 60 finalistas, que passaram três dias do mês de setembro finalizando 12 protótipos de Inteligência Artificial (IA) para desafios reais da transição energética. Cada uma das 12 equipes participantes teve cinco minutos para mostrar o que construiu e como aquela solução poderia fazer diferença fora do Hackathon.
Do desperdício de energia renovável à redução do uso de térmicas foi a proposta de problemas enfrentados pela equipe formada pela UFRJ, UERJ, UFF, CEFET/RJ. O grupo ficou em primeiro lugar ao apresentar o Predicta, solução que usa IA para prever a demanda de energia e criar tarifas dinâmicas. A ferramenta incentiva o consumo de energia fora dos horários de pico, ajudando distribuidoras a aliviar a rede e consumidores a economizar.
O time levou um prêmio de dez mil reais em dinheiro, além de US$ 10 mil em créditos da AWS e duas semanas de acesso ao Supercomputador Santos Dumont, um dos mais potentes do Brasil.
Além dos prêmios, os participantes tiveram a oportunidade de interagir com mentores e especialistas em energia, IA, produto, inovação e negócios. No Happy Hour, hackers circularam entre representantes da Prefeitura do Rio, Sebrae e Invest.Rio.
Também prestigiaram o evento, empresas como Visagio, Grupo Guanabara, Taesa e OceanPact – todas interessadas em conhecer novos talentos e soluções. Iniciativas, como o BNDES Garagem e o CVC da Petrobras também estavam no Hackathon.
Os projetos apresentados seguem para uma nova etapa, com possibilidade de incubação e contato com empresas interessadas em levar algumas dessas soluções adiante, como esclarece Marcos Chaves Martins, gerente executivo da Incubadora de Empresas COPPE/UFRJ:
“A COPPE existe para transformar pesquisa em solução para o país. Ver 60 hackers pegarem dados reais do setor elétrico e, em três dias, entregarem protótipos que respondem a problemas do ONS e da Taesa mostra o tamanho do talento que o Rio forma. A Incubadora está de portas abertas para que esses projetos virem empresas”, afirma Martins.
O Hackahton IA 2026 teve duração de 20 dias entre treinamento, ideathon e etapa presencial. Dos mais de 530 inscritos, 60 chegaram à fase final, divididos em 12 equipes. O Demo Day permitiu aos especialistas que participaram do evento conhecerem os protótipos feitos pelas unidades de ensino do Rio.
Carnelutti Spinelli, especialista em Ecossistema de Inovação da AXIA, representou a união entre inovação, IA e rede elétrica do futuro. Alfredo Renault, CEO do Centro de Soluções Tecnológicas de Baixo Carbono da COPPE/UFRJ, levou a perspectiva das tecnologias de baixo carbono. E André Mattos, coordenador de Dados e IA da Eneva, contribuiu com o olhar de quem escala IA dentro da indústria de energia.
A banca contou ainda com Carol Freire, CEO da Gridify, que trabalha na construção da camada de software da rede elétrica, e Leonardo Maciel, gerente de IA e Ciência de Dados da OceanPact, versado no uso de tecnologia e IA no setor offshore.
A próxima cleantech pode nascer no Rio
O Rio combina dois ativos excelentes para surfar na próxima onda de inovação: uma forte vocação para energia e uma base científica e tecnológica formada por instituições como COPPE/UFRJ, IMPA, IME, PUC-Rio, como destaca Luana Helsinger, cofundadora e CEO da Made in Rio:
“Poucas cidades concentram, em tão poucos quilômetros, instituições de excelência em matemática, engenharia, física, computação e pesquisa aplicada como o Rio. A próxima grande cleantech global deveria nascer no Rio e, depois deste Hackathon, ela está um pouco mais perto”, diz a executiva.
O pódio
1º lugar: Corp
Larissa Cunha Pinheiro (UFRJ), Pedro Aquino da Costa (UFF), Raul de Almeida Castro Neto (UERJ), Rômulo Ferreira Goes (UFF) e Ricardo Fernandes de Araújo (CEFET/RJ).
Solução: usa IA para antecipar picos de demanda e indicar quando é mais barato e eficiente consumir energia, ajudando a reduzir a pressão sobre a rede.
Prêmio: R$10 mil em dinheiro + US$ 10 mil em créditos da AWS+ duas semanas de acesso ao Supercomputador Santos Dumont
2º lugar: CapiWatt
Eric Ruas Leão (PUC-Rio), Carolina Figueiredo Germano (UERJ), Thiago Henriques (PUC-Rio), Eduardo Motta (PUC-Rio) e Jerônimo Augusto Soares (PUC-Rio).
Solução: usa IA para pesquisar e organizar processos regulatórios da ANEEL, entregando respostas com fontes verificáveis e reduzindo o tempo gasto por advogados na busca e análise de informações.
Prêmio: R$7 mil em dinheiro + US$ 10 mil em créditos da AWS+ duas semanas de acesso ao Supercomputador Santos Dumont
3º lugar: GPU Team
Luciano Chinilato (PUC-Minas), Luciano de Souza Bernardino (IBMEC-RJ), Brener Sousa da Silva (IBMR), Thomas Farias Viana (IME) e Guilherme Vasconcellos Marcelino (UFRJ).
Solução: usa dados do ONS e inteligência artificial para identificar gargalos de transmissão e simular quais investimentos em infraestrutura poderiam recuperar energia eólica e solar hoje desperdiçada.
Prêmio: R$5 mil em dinheiro + US$ 10 mil em créditos da AWS+ duas semanas de acesso ao Supercomputador Santos Dumont
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Equipe Diário do Rio
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