Yuri Moraes se torna o primeiro surdo-cego a concluir mestrado na UnB
Notícias destaques UnB
Notícia 5 de 307 notícias compartilhadas
Fonte
TV Globo Brasília
Sentimento
Positivo
Valoração
R$ 100.514,40
Data Publicação
13/10/2026
12:39h
Assunto: INSTITUCIONAL-Ensino
Vocês vão conhecer agora a história do Yuri Moraes. É o primeiro surdo cego a concluir um mestrado na UNB, na Universidade de Brasília. A jornada teve desafios, é claro, e também apoio da família, dos amigos, dos professores e demais profissionais de toda a UNB. Reportagem de Geraldo Becker. O sorriso tímido revela a felicidade de receber mais um título.
Eu sou o primeiro surdo cego mestre da Universidade de Brasília, de fato. É isso mesmo. O Yuri é o primeiro aluno surdo cego a concluir o mestrado na UNB. Para a reportagem, a mãe, a Ellen, nos auxilia com a língua de sinais, com o uso de libras tátil, que é a comunicação por meio do toque. Aliás, esse apoio foi fundamental nos quatro anos de estudo em casa. Os nossos professores são surdos.
Então, ontem mesmo, sábado eu estive lá, o professor Falck estava lá dando curso, o professor doutor do IFB hoje, né? Natanael, todos são licenciados e são surdos para dar curso de Libras. Aí eu acho legal que seja de fato um surdo para estar ensinando língua de sinais. É isso que a gente luta, né?
Já na universidade, a orientadora do programa de pós-graduação em educação modalidade profissional também domina a língua de sinais, o que abriu os caminhos para o Yuri.
Então, a UNB foi, a Faculdade de Educação foi se adaptando, as salas de aula foram se adaptando, o tempo do professor, porque o professor, e outra coisa que a gente começou a fazer, também dar orientação para os colegas, né? Olha, e aí, como é que a gente pode estar trabalhando isso, né? Como é que eu posso ensinar, como é que eu posso adaptar meus materiais?
Então, foi muito legal essa relação com os professores na adaptação também de slides. Os slides têm que ter cor escura, letra branca, letra maior, porque ele pode também estar de perto visualizando aquela letra. Então, é super importante adaptar também o tempo de ensino em sala durante a disciplina.
normal ali do semestre, mas também os materiais e não fazer aquele grau de exigências de são inúmeros textos, cada semana um texto. Então, eu conversava com o professor, vamos pensar aqui, professor, quais textos seriam mais relevantes para a sua disciplina? Então, a gente adaptava, escolhia aqueles textos e aprofundava aqueles textos da disciplina do professor.
O Yuri nasceu com catarata e surdez profunda. Desde a infância, ele enfrentou muitas barreiras, com acessibilidade, com a comunicação, mas o Yuri venceu todas e se tornou o primeiro estudante surdo-cego na Universidade de Brasília, no curso de Libras, tendo português como segunda língua. Isso em 2016, faz 10 anos. E no decorrer da graduação, o Yuri perdeu o restante da visão.
A minha mãe traduzia, então hoje eu trabalho com esse processo de ensino e é muito especial. Então eu mostrei, combinei com responsabilidade todo esse processo, esse trabalho. E onde eu reivindico também, eu quero sim passar no concurso da Secretaria de Educação, a minha mãe é...
trabalha, trabalhou na Secretaria de Educação, né? Então agora eu me apoio muito nesse processo. E depende de mim, sim, escolher as minhas escolhas. É um cronograma que eu faço. A defesa da dissertação foi em setembro, com o título O Saber na Experiência do Trabalho com a Pessoa Surdocega, uma escrita autobiográfica.
O estudo amplia o debate acadêmico sobre acessibilidade e marca estratégias para superar os desafios da inclusão. Durante a apresentação da tese na UNB, o Yuri esteve acompanhado por intérpretes de Libras Tátil, que se revezavam para transmitir as informações a todos. A gente fez uma parceria gigantesca nesse sentido. O que seria do meu trabalho sem essa mãe maravilhosa?
A família maravilhosa, o pai, o irmão, toda uma equipe, toda uma família por trás. Então, o Yuri é o que é hoje por causa dessa família maravilhosa. E aí a gente foi, esse trabalho tinha continuidade, ele nunca parou.
Ele sempre teve continuidade, começava na universidade e continuava aqui. Em alguns momentos, a gente até fazia videochamada, mas eu e ela, e aí ela passava depois para o Yuri, alguns aprofundamentos da orientação. Então, essa parceria foi essencial para que o Yuri chegasse onde está. O Yuri tem 32 anos, mora com a mãe aqui na Asaçu e trabalha como educador.
E pensa que acabou por aqui? Agora o mestre em educação quer fazer doutorado. Eu sinto que eu consegui vencer. É um processo de vida. E é na universidade, na UNB. Então todo esse processo, primeiro na licenciatura em 2016...
Depois eu finalizei em 2020, me formei à distância por causa do vírus, né? Tomei a vacina, então não adquiri. Então, todo esse começo, depois eu participei em 2022 aqui na UNB,
Depois que eu comecei em 2016, concluí em 2020, e aí eu fiquei muito feliz em 2022, quando o quê? Eu consegui. Então, eu esperei, organizei, trabalhei na escrita do projeto, né? E ano depois, essa experiência eu apresentei aqui em Brasília.
E eu consegui também viajar durante todo esse processo do mestrado para outros estados, junto com a minha mãe, porque era preciso mostrar, sim, a experiência que eu havia adquirido. Eu desejo trabalhar, sim, eu desejo conseguir, e eu consegui uma bolsa para fazer o FAPDF, eu consegui para fazer o meu processo, para ser protagonista.
Então, eu consegui, eu nunca vou desistir, eu sonho muito, eu sonho em trabalhar, trabalhar, trabalhar e eu cobro isso sempre. São estratégias que a gente tem que construir para a vida, para poder, com certeza, a família e estar em comunidade sempre. Agora, meio-dia e 46, é hora da redação móvel.
O contexto da matéria iniciar se em 00:00 e seu término está em 00:00.
O contexto da matéria iniciar se em 00:00 e seu término está em 00:00.