Projeto Proleme da UNB promove letramento em saúde menstrual nas escolas do DF
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Fonte
CBN Brasília
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Positivo
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Data Publicação
26/09/2026
10:29h
Assunto: INSTITUCIONAL- Extensão
E agora vamos falar de educação. O projeto Proleme, da Universidade de Brasília, leva o letramento em saúde menstrual às escolas públicas aqui do Distrito Federal. Esta iniciativa busca romper tabus entre adolescentes e combater a desinformação sobre o tema, como explica a professora Valéria Mendonça, que a gente ouve a partir de agora.
E hoje no CBN Boas Ideias a gente destaca um projeto da Universidade de Brasília que tem levado educação em saúde menstrual às escolas públicas do Distrito Federal, fazendo um trabalho de combate aos tabus, principalmente entre adolescentes. Quem conversa com a gente sobre esse assunto é a professora Valéria Mendonça, coordenadora do projeto Proleme. Professora Valéria, bom dia. Bom dia.
Bom dia, Mariana. Bom dia também ao Bruno, que deve estar aí com você. Muito bom dia, professora Valéria. Seja bem-vinda. Obrigada, Bruno. E também aos seus ouvintes. Bem, professora, vamos lá. Explica pra gente o que é, afinal, o PROLEME. O nome é grande, né? Escola Cidadã Educação e Promoção de Letramento em Saúde Menstrual de Meninas e Mulheres nas Escolas do DF. Por isso que precisava de um apelido bem carinhoso, não é? PROLEME.
Ele integra um programa de extensão, que é o Escola Cidadã. É um programa que começou o projeto bem pequenininho, cresceu de uma para duas, cinco, dez, e hoje estamos em mais de 20 escolas no Distrito Federal. E o problema, ele trouxe essa preocupação do letramento em saúde no tema da saúde menstrual, que como você bem disse, Mariana, tanto afeta a vida das meninas, adolescentes que estão em período escolar.
Pois é, e às vezes, professora, a gente não tem a dimensão, e eu acho até mesmo para os meninos, para os homens, como isso pode afetar até mesmo no desempenho escolar dessa menina, quando ela não tem o acesso ao básico, nesse caso, ou informação, ou até mesmo ao próprio absorvente. E a gente sabe, pelos dados, e eu queria que a senhora destacasse isso,
os números da evasão escolar que estão conectados, inclusive, quando essa menina não tem acesso a esse básico que eu estou falando. Pois é, Bruno, por incrível que pareça, a menstruação das meninas em fase escolar é mesmo um dos principais motivadores da evasão escolar. Mas ainda não se tem um dado específico, pode acreditar, específico para o objetivo da menstruação, para
o tema da menstruação, porque ele é muito velado ainda, ele é um tabu muito grande. As meninas, por incrível que pareça, há uma liberação da sociedade, mas ao mesmo tempo esses temas são complexos, eles afetam diretamente a menina. Por quê? Porque às vezes a menstruação vaza, suja a calça jeans, alguém faz bullying ou faz algum tipo de brincadeira, isso não é legal.
Não é legal mesmo. E faz com que muitas meninas se retraiam e deixem de ir para a escola. Além disso, tem os sintomas. As cólicas menstruais também ainda são muito severas, pouco tratadas. Alguns problemas mais além do que viria a ser apenas uma cólica, pode ser também um excesso de menstruação. Chegam até hemorragias que precisam ser investigadas. Ou seja...
Nós não estamos falando apenas de uma evasão escolar em razão de baixas médias escolares ou dificuldade de apropriação de conteúdo, nós estamos falando de situações da pessoa, do seu organismo, da sua vida social, da sua vida como mulher em constituição,
que faz com que ela tenha uma vulnerabilidade, uma sensibilidade maior, em especial quando elas estão em situações de vulnerabilidade. Professora, e aí de que forma o projeto entra nesse letramento?
Vamos lá. Primeiro você tem que compreender o que é que você tem, o que é que seu corpo está fazendo, como é que seu corpo está reagindo à sua puberdade, à mudança do seu organismo. Nem todas as meninas têm condições de ter essas conversas em casa. Nas escolas também o assunto é importante, é comentado, mas não é aprofundado em certa medida. Então nós trabalhamos com as meninas em particular, claro.
Não somente elas, porque como o Bruno falou no comecinho, isso alcança também os meninos, alcança professoras e professores, toda a comunidade escolar. Como é que ele funciona? O letramento passa por informações do organismo, do seu órgão reprodutor. Nós construímos, inclusive, vocês terem ideia, um útero gigante.
um aparato lúdico, para que as meninas pudessem ver um útero grandão na mão delas, sabe? Bem legal. Não é só aquele aparelho médico ou clínico que a gente tem em vários protótipos. Não, é uma brincadeira grande, um grande útero de feltro, construído pelas meninas, pelas estudantes também da UNB, que interagem com as demais nas escolas públicas. São feitas oficinas de prevenção a problemas que vão...
ser relacionados com as doenças, os frutos da menstruação, a educação sexual, a situação reprodutiva das meninas. É toda uma questão de educação, informação e comunicação para a promoção da saúde. Digo isso porque é um projeto, é um dos projetos do programa Escola Cidadã, que dialoga com outros temas. Por exemplo, a desinformação em saúde. Porque você falar de menstruação, traz consigo muitas desinformações. E isso é prejudicial.
Professora, eu gostaria que a senhora ressaltasse também hoje qual é o amparo legal, ou seja, o que a legislação já garante para as meninas e mulheres no que diz respeito a acesso à saúde menstrual. Pois é, existe um programa do governo federal que é o acesso ao absorvente higiênico. Ele pode ser retirado nas unidades básicas, basta que elas tenham o seu cadastro feito. Outra coisa que a gente tem ajudado muito, auxiliar as meninas...
a terem acesso a essa informação, ao direito que lhes é assistido por política pública de saúde e também fazerem o cadastro quando elas não conhecem.
Inclusive, para facilitar e fazer essa ponte, o programa Escola Cidadã faz esse tipo de apoio às políticas públicas e acesso à cidadania dentro de seus outros projetos. O problema é um deles, porque o Laboratório de Educação, Informação e Comunicação em Saúde, o Laboratório WET, que nós coordenamos há 20 anos na UNB, é importante dizer isso, ele tem vários projetos dentro do Escola Cidadã.
E eles dialogam entre si. Quando a gente faz uma ação e leva notebook, levam outras meninas e fazem os cadastros, nós estamos também promovendo a cidadania e uma ciência cidadã. Nesse modo, é bom destacar que a interação e o crescimento desse acesso foi muito significativo com mais de 250 meninas com quem nós já trabalhamos até agora.
Inclusive, dentro do nosso kit tem uma bolsinha com um absorvente, um pacote de absorvente e uma caderneta de anotação do ciclo menstrual de cada uma delas, para elas acompanharem o período e o momento de buscarem os novos absorventes.
Professora, de que forma é feito esse trabalho, no sentido de vocês vão às escolas após serem chamados, é um trabalho permanente, vocês estão ali ao longo de todo o ano, ou são formações ali, uma semana de palestras, como que é feito? Mariana, o interessante é que a gente tem proporcionado pela Escola Cidadã uma ação de pertencimento,
algo pontual, é um projeto que permanece com a escola ao longo do ano.
E nós não chegamos lá com um pacote fechado de conteúdos ou de ações. A gente atende a demanda da escola. Quando foi observada a necessidade de trabalhar com o letramento em educação para a saúde menstrual das meninas e adolescentes, no ciclo escolar, foi porque o tema foi recorrente e ele surgiu em outras oficinas e em outros projetos. E daí nós conseguimos direcionar as ações para essa temática em específico.
Até agora, por exemplo, já quatro escolas já nos receberam. Como eu disse, a gente tem mais escolas com outros projetos. E essa rede de escolas é fruto...
de um programa de extensão longevo. Ou seja, o Escola Cidadano nasceu ontem, ele está fazendo cinco anos, junto ao Laboratório Ecos e ao ENB. Nós temos tido o apoio da gestão pela Finatec, que é a Fundação de Empreendimento Tecnológico da Universidade, que faz esses apoios de gestão para os professores, como eu e meus colegas.
E, nesse sentido, a gente tem conseguido ampliar ainda mais o escopo temático, mas também de escolas. Mas, de novo, a gente cria o pertencimento. Nós estamos dentro da escola o ano inteiro, participamos da programação pedagógica do ano seguinte e, assim, nós inserimos nossas temáticas em parceria com a escola e a Universidade de Brasília.
Professora, de que forma as famílias também são convidadas a participar desse projeto? Porque muitas vezes a gente sabe que a desinformação parte do próprio ambiente doméstico, de tabus que são colocados pelos próprios familiares que também tiveram dificuldade ao longo da vida em ter acesso a melhor informação ou por outras questões. De que forma isso é trabalhado com as famílias? E acrescentando também nesse aspecto,
Qual que é a melhor forma de abordagem, né, dos familiares, numa conversa como essa, para falar sobre saúde menstrual, para abordar esse tema dentro de casa? Bruno, isso foi, assim, muito importante que você chama atenção, porque um trabalho, uma garota, nunca é um trabalho isolado, é um trabalho que chega à sua família, às suas amigas, às suas...
As suas amigas, os familiares próximos, mas também o bairro. Quando nós observamos, nós vemos um bom contágio de uma boa informação circulando entre elas. E geralmente essas escolas públicas, elas têm o dia da família. E no dia da família, os pais, os parentes, os amigos, eles são convidados para ações da escola, de acompanhamento escolar, óbvio.
Mas é lá nesse momento que a gente leva também os estudantes da UNB para interagirem com as pessoas, não somente as meninas. E as meninas atendidas já são parte do processo. Elas são, digamos assim, as mobilizadoras de novos contatos que nós fazemos durante esses eventos. Porque a mãe dessa menina um dia foi ela.
Talvez ela também tenha tido evasão, também ela deva ter tido problemas dessa natureza e ela se identifica nesse processo. E a filha contagia positivamente todo esse movimento em casa de como isso pode acontecer com a boa assistência à saúde da mulher, que é o que a gente busca. Eu queria destacar, inclusive, que os nossos estudantes são todos dos cursos de saúde da Universidade de Brasília, tanto do campus da Serbeiros,
na integração também com o campus de Ceglândia e com parceria com a ESSES e também com o Derecho. Porque nós temos, digamos assim, uma parceria grande de ações de extensão. Esses meninos hoje da UNB.
que estão atuando no programa Escola Cidadã. Nas escolas, junto ao ProLene, por exemplo, e os nossos outros projetos, amanhã serão profissionais de saúde imersos no serviço de saúde do DF e eles estarão mais sensibilizados, mais comprometidos, mais sensíveis. Esses temas estão frágeis para nós, mulheres. Professora, qual é o feedback que você tem recebido das meninas que participam do projeto e também das famílias?
Ah, Mariana, é muito bom, sabe, porque quando você ouve uma garota dizendo, poxa, professora, eu não sabia que era assim que acontecia, eu não sabia que eu poderia agir de tal forma, que eu posso simplesmente ir no banheiro, limpo minha calça, vou embora, ou eu não preciso abandonar a escola. Nossa, você não tem ideia o quanto isso é gratificante, Mariana, porque a gente quer que a
A menina continua na escola, a gente quer que ela conheça mais seu corpo, como se cuidar, como buscar os seus direitos, mas principalmente também como ela crescer forte enquanto mulher, enquanto cidadã. Professora, para o pessoal das escolas, quem estiver acompanhando a entrevista, tiver interesse de levar o problema também para essa escola, como fazer? Tem rede de contato com vocês?
Oi, Mariana, tem, e é muito legal, viu? Primeiro, nós chegamos em outra escola pelo boca a boca, tá? Um professor fala para o outro, fala para o outro, quando a gente vê, chega o convite, e aí a gente vai conversar, como é que é o processo? A gente chega na escola, geralmente foi por convite até agora, e nós apresentamos o Escola Cidadã, os subprojetos que ele possui, e Proleme, por exemplo, e nesse momento a gente faz uma...
fazer essa atividade com a escola. E aí, nesse momento, a gente queria o vínculo.
Quem quiser conhecer o programa de extensão Escola Cidadão, quem quiser conhecer o problema, os detalhes, tudo que a gente tem feito, ecos.unb.br ecos.unb.br Nós não temos telefone, porque é um telefone público da Universidade, mas temos o nosso site, ecos.unb.br o nosso e-mail, como eu falei, e também tem o nosso Instagram, que é o arroba ecosfsunb, que está à disposição
para conhecer nossas atividades, como disse, estão à disposição da sociedade. E professora, nesse sentido, se alguém quiser reforçar a ação dentro da escola, chamar para que esse projeto alcance mais pessoas, é possível também fazer essa conexão hoje? Qual o tamanho do time de vocês para ampliar essa proposta?
Ah, o time é grande. O time é grande. Nós temos quase 50 bolsistas da Universidade de Brasília. Alguns são voluntários, outros têm bolsas de extensão ou de iniciação científica, mestrandos que fazem seus projetos dentro do programa Escola Cidadã. E quando nós estamos fazendo as oficinas, aulas coletivas...
orientações pedagógicas de educação e saúde. Nós estamos interagindo e fazendo com que todos eles criem esse vínculo. Logo, nós temos aí um time aproximadamente de 50 pessoas, sem contar com os professores que estão envolvidos nas atividades. É um time bom, ele é, digamos assim, renovado a cada semestre. Muitos também ficam durante todo o ano, porque é o ciclo da universidade. São seis meses, pessoas que entram, pessoas que saem, mas pessoas que permanecem, porque se identificam com o projeto.
Professora Valéria Mendonça, coordenadora do PROLEME, agradeço demais pela participação. Parabenizo a senhora, mas também a toda essa valiosa equipe dos alunos, dos bolsistas, por um assunto tão importante e por um projeto que é fundamental para as nossas meninas e adolescentes nas escolas aqui do DF. Muito obrigado pela participação. Parabéns.
Bruno, muito obrigada. Obrigada a você, Mariana, a todos os ouvintes. E nessas palavras finais, eu queria destacar aqui que o Mandorinha só não faz verão. Ao meu lado temos professoras dedicadas, como a professora Catarina e a professora Natália, a professora Tassiana, a professora Fátima, ou seja, são colegas que fazem com que esses eventos ocorram, mas com muito vigor dentro das escolas e da universidade pública. E a professora Carla também integra esse time. E é isso, Bruno. Bruno e Mariana, um grande beijo.
E boa semana para vocês. Muito obrigada. Muito obrigado pela participação.
O contexto da matéria iniciar se em 00:00 e seu término está em 00:00.
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